Com contratos encerrando, Hospital do Fundão pode fechar 110 leitos de internação por falta de profissionais

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RIO — Termina no dia 30 de dezembro os contratos de 850 profissionais de saúde do Hospital Clementino Fraga, administrado pela Universidade Federal do Rio. Sem previsão da renovação, a unidade pode ter que fechar 110 leitos de internação por falta de funcionários, o que representa 30% de todos os leitos do Hospital do Fundão. Segundo a direção do hospital, os funcionários são custeados com o orçamento suplementar do Ministério da Saúde.

Os profissionais foram contratados para atuar no atendimento a pacientes com Covid-19 depois do Fundão passar por uma grande reforma custeada com doações da iniciativa privada. A direção diz se articular com todos os poderes — federal, estadual e municipal — para tentar renovar os contratos:

— Estamos mantendo estes profissionais com o orçamento suplementar do Ministério da Saúde, destinado à demanda Covid, que serviu para contratar profissionais e assegurar os leitos de referência abertos no Rio de Janeiro — disse por nota Marcos Freire, diretor-geral do Clementino Fraga.

Com a redução de casos e óbitos na cidade do Rio, os leitos não foram fechados e sim convertidos para atender outras especialidades. Por muitas serem vagas de UTI, os leitos estão sendo utilizados para cirurgias, principalmente de média e alta complexidade como transplantes e de cabeça e pescoço. Em média, por mês, o Clementino Frago tem feito 470 cirurgias.

— Com a conversão aumentamos o número de cirurgias complexas que precisam de uma vaga de UTI. O hospital está todo pronto e reformado, com equipamento novos. Nosso maior problema é recursos humanos por não ter gente para trabalhar. O Clementino Fraga também é o único hospital de alta-complexidade para Covid. Para o SUS é importante manter alguns leitos de Covid, porque temos mais os pacientes com comorbidades múltiplas. Já tivemos pacientes com câncer de cérebro, infartados que foram atendidos aqui com Covid — afirmou um médico da unidade que não quis se identificar.

Caso não o hospital não tenha nenhuma sinalização de que os profissionais permanecerão na unidade, a partir já da próxima semana esses 110 leitos não receberão mais pacientes. Esse é uma medida para começar a esvaziar aos poucos as vagas e evitar ter internados sem os profissionais.

Se o cenário se mantiver, também será fechado o CTI e Enfermaria Covid do hospital. Hoje, nove pacientes estão internados no Clementino Fraga com a doença e outros 15 se recuperam das sequelas.

— Nos últimos três anos a rede federal fechou 941 leitos. É muito preocupante o fechamento dos leitos no Fundão. A situação da rede de alta complexidade no Rio é muito grave e preocupante. Se não tiver a rede federal e universidade avançando teremos muitas dificuldades — disse Daniel Soranz, secretário Municipal de Saúde durante coletiva nesta sexta-feira.

Com 602 leitos fechados apenas nos hospitais gerais, as unidades geridas pelo Ministério da Saúde do Rio tem 37% de todas as vagas impedidas por problemas, muitos por falta de profissionais. Membros da CPI Covid vieram ao Rio de Janeiro nesta quinta-feira entregar para as autoridades fluminenses o relatório final da comissão, que entre as mais de mil e duzentas páginas reserva um capítulo para os hospitais federais do estado.

Após o encontro da cúpula da CPI com procuradores do Ministério Público Federal (MPF), os senadores disseram que o órgão já está com uma investigação em andamento sobre os indícios de fraude apontados na investigação em Brasília.

— Compartilhamos informações que foram colhidas durante a CPI. , que teve várias frentes. Era impossível aprofundarmos nas investigações nos estados, mas colhemos muitas informações. Senti uma vontade muito frande dos membros do MPF em aprofundar e já há investigações em cursos sobre o tema — disse residente da CPI da Covid Omar Aziz (PSD-AM), que foi acompanhado por Randolfe Rodrigues (Rede-AP) e Humberto Costa (PT-PR).

Procurado, o Ministério da Saúde ainda não se pronunciou sobre o fechamento dos leitos no Hospital do Fundão. Sobre o número de leitos fechados nos hospitais gerais, a Superintendência Estadual do Ministério da Saúde diz que o plano de contratação temporária dos profissionais de saúde está em fase de finalização e publicação de edital.

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