Com coronavírus, companhias aéreas nos EUA começam a exigir máscaras faciais para passageiros

O Globo, com agências internacionais

WASHINGTON, EUA - Após intensa pressão de sindicatos e parlamentares democratas, Delta Air Lines, American Airlines e a United Airlines decidiram que os passageiros deverão usar máscaras faciais durante os voos.

Sindicatos aos quais os comissários de bordo são filiados e legisladores democratas vêm pressionando o governo federal a exigir o uso de máscaras nos aviões. Até agora, os reguladores resistiram à pressão, mas o setor de companhias aéreas está começando a ressaltar a importãncia do uso das máscaras para conter o avanço da pandemia do coronavírus.

Antes das três companhias americanas, a JetBlue Airways e a Frontier Airlines já haviam feito anúncios semelhantes. Outras companhias aéreas provavelmente seguirão o exemplo - até agora, somente a Southwest Airlines, com sede em Dallas, é a única das grandes companhias aéreas do país a resistir à ideia.

Azul adota uso das máscaras

No Brasil, a Azul anunciou que, a partir desta semana, todos os seus funcionários deverão usar máscaras durante o expediente, e pede que os passageiros também sigam a orientação. A empresa está distribuindo a nova peça de uniforme para todos os integrantes da equipe, sejam eles agentes de aeroportos, de cargas, técnicos de manutenção, comissários e pilotos.

"Da mesma forma que é obrigatório para as equipes da Azul o uso das máscaras, estamos pedindo para que nossos Clientes também utilizem suas máscaras, lenços ou tecidos de proteção que os deixe confortáveis durante o voo. Juntos conseguimos aumentar o clima de segurança a bordo e deixaremos todos que estão voando com a certeza de que estão em um ambiente ainda mais protegido”, afirma Jason Ward, vice-presidente de Pessoas e Clientes da companhia.

A empresa informou ainda que tem à disposição dos clientes a bordo álcool em gel e lenços desinfetantes, e que, desde a chegada da pandemia ao Brasil, tem reforçado os procedimentos de limpeza e desinfecção dos aviões de acordo com as recomendações da IATA.

Nos EUA, pressão sob órgãos reguladores

Na quinta-feira, a Associação de Comissários de Bordo (CWA, em sua sigla em inglês), que representa trabalhadores de 20 aéreas americanas e um dos maiores defensores de que todos a bordo usem máscaras, enfatizou que a medida seja uma exigência por parte dos órgãos reguladores como forma de evitar a contaminação pelo novo coronavírus nos aviões.

- Estamos felizes em ver as companhias aéreas tomando medidas para exigir máscaras ou coberturas faciais para passageiros, tripulação e outros funcionários da linha de frente", disse Sara Nelson, chefe da CWA. - Continuamos pedindo ao governo federal e órgãos reguladores que exijam máscaras para tripulação, funcionários da linha de frente e todos os passageiros.

Na semana passada, a United Airlines anunciou que todos os comissarios de voos passariam a cobrir o rosto ou usar máscara em serviço, a primeira determinação do tipo tomada por uma grande empresa do setor nos Estados Unidos. A medida foi aprovada pela Associação dos Comissários de Bordo.

Representantes de sindicatos de pilotos dos EUA têm se reunido com membros do Congresso do país para aprovação de legislação que os proteja do Covid-19 nos aviões, afirmaram autoridades sindicais na quinta-feira.

"É vital que nossas tripulações sejam tratadas como trabalhadores essenciais e tenham acesso a equipamentos de proteção individual e a testes", disse Jason Goldberg, porta-voz da Associação de Pilotos Unidos, que representa pilotos da American Airlines.

Canadá e Europa

No dia 20 de abril, o Canadá começou a exigir que os passageiros usem máscara ou proteção para o rosto durante o processo de embarque e nos voos.

Na Europa, a Comissão Europeia planeja apresentar um conjunto de regras para uma reabertura segura do setor de transporte aéreo.

Algumas companhias aéreas começaram a implementar suas próprias medidas, incluindo bloqueio de uso dos assentos do meio e mudanças no processo de embarque, e pedem consistência para as exigências governamentais.