Com coronavírus, pedidos de seguro-desemprego sobem 11% em março e chegam a 536 mil

Manoel Ventura e Daniel Gullino
Carteira de trabalho: trabalhadores demitidos devem pedir o benefício do seguro-desemprego pela internet

BRASÍLIA — O Ministério da Economia informou nesta terça-feira que 536.845 brasileiros pediram o seguro-desemprego no mês de março. O número representa uma alta 11,1% na comparação com o mês de fevereiro. Quando comparado a março de 2019, esse dado representa uma queda de 3,5%.

— Tínhamos preocupação com uma explosão do desemprego. Nós não verificamos isso. Por enquanto, não verificamos um aumento no número de pedidos de seguro-desemprego, que demonstra para nós que a situação está parecida com o ano passado. Isso é uma notícia muito boa — disse o secretário-executivo do Ministério da Economia, Marcelo Guaranys.

O governo divulgou essa informação para alardear que as medidas tomadas contra o coronavírus salvaram empregos formais no Brasil.

Na primeira quinzena de abril, foram 267.693 pedidos, uma queda de -13,8% em relação ao ano anterior.

Esse é o primeiro dado oficial sobre os impactos da crise causada pelo novo coronavírus no mercado de trabalho formal. O Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), com os dados sobre carteira assinada, por exemplo, não é divulgado desde dezembro.

As agências do Sistema Nacional de Emprego (Sine) de estados e municípios estão fechadas por conta do coronavírus. Antes da crise, essas agências estaduais e municipais respondiam por uma média de requerimentos acima de 80%.

Com o fechamento, mais de 90% dos pedidos estão sendo feitos pela internet, o que é pouco usual. No ano passado, apenas 1,5% dos pedidos foram feitos pela internet.

O secretário de Previdência e Trabalho, Bruno Bianco, informou que ainda há cerca de 200 mil pedidos representados.

— Ainda temos uma fila, estamos dando conta rapidamente. Essa demanda reprimida não passa de 200 mil em março e abril. Temos um pequeno aumento no seguro-desemprego em 2020. Mas esse aumento não passa de 150 mil pedidos — disse Bianco.

Confira ainda:

Em março, os estados com registro de maior número de pedidos foram São Paulo (165.632), Minas Gerais (63.317) e Rio de Janeiro (41.728). Em abril, até agora, esses estados também lideram os pedidos.

O seguro-desemprego somente pode ser solicitado após sete dias da demissão, e o trabalhador que está pedindo o benefício pela primeira vez deve ter trabalhado por 12 meses durante os 18 meses que antecederam a demissão.

Veja ainda:

Uma funcionalidade para o trabalhador doméstico demitido sem justa causa foi lançada neste mês para permitir a solicitação do seguro-desem´rego pela internet.

Viu isso?

Para ter direito ao benefício, o trabalhador deve comprovar o vínculo empregatício, como empregado doméstico, durante pelo menos 15 meses nos últimos 24 meses; declarar que não está em gozo de benefício de prestação continuada da Previdência Social, exceto auxílio-acidente e pensão por morte; e que não possui renda própria de qualquer natureza suficiente à sua manutenção e de sua família. O prazo para análise do requerimento é de 20 dias e o pagamento é feito, em média, 30 dias após a solicitação.

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