Com corte joãozinho, Yasmin Gomlevsky, a Thaíssa de ‘Bom sucesso', opina: 'Atriz não pode escolher o cabelo'

Isabella Cardoso
Cropped FYI (R$ 238); blusa Paraíso da Moda para Fashion Box (R$ 79); calça com fenda Renner (R$ 119); tênis Vanessa Nogueira para Fashion Box (R$ 210); brinco Afghan (R$ 110); pulseira BZZ (R$ 200)

No mundo da moda, a transparência segue firme e forte. Mas quem disse que a tendência significa necessariamente deixar o corpo à mostra? Este ensaio da Canal Extra mostra que você pode aderir ao estilo, seja qual for o seu perfil. A atriz Yasmin Gomlevsky, a editora Thaíssa de “Bom sucesso”, surge deslumbrante em quatro looks, usando e abusando das sobreposições, tanto nas produções mais casuais quanto nas mais ousadas. A artista de 26 anos afirma que tem um gosto alternativo e gosta de misturar peças “não óbvias”.

— Eu não gosto de coisas muito certinhas. Curto sempre dar um toque meio brechó, antiguinho, misturando épocas e itens que as pessoas não esperam. É legal transcender — diz, rindo, a carioca, que afirma se sentir bem quando a aparência está um pouco esquisita: — Eu tenho uma tatuagem que diz isso: “stay weird” (em português, permaneça estranha).

Quem acompanha a trama das sete pode reparar nas fotos uma grande diferença entre atriz e personagem. Enquanto a editora da Prado Monteiro tem 33 tatuagens, que são adesivos, Yasmin tem apenas três, escondidas e pequenas. Além dos desenhos na pele, Thaíssa não tem tanto em comum com sua intérprete. Segundo a morena, ela já teve uma veia cômica mais ácida, mas o processo de autoconhecimento pelo qual passa a fez mudar:

— É claro que esse humor mais pesado ainda está presente na minha personalidade, mas cada vez menos. Meu jeito de me expressar vai ficando mais ajustado com quem eu sou. Com o passar do tempo, fui me conhecendo mais e saindo desse lugar mais ferino.

A atriz vem mostrando diversas de suas facetas na telinha. Após interpretar uma prostituta em “Liberdade, liberdade” (2016) e uma freira em “Tempo de amar” (2017), ela surgiu como uma personagem moderninha em “Bom sucesso”. A primeira mudança no visual por conta de um trabalho veio aos 16 anos, logo em sua primeira peça profissional, “O diário de Anne Frank”. Ela cortou o cabelo de “surfista loura californiana”, pintou de preto e fez uma franja:

— Não gostei, mas fui me acostumando. Eu sempre tive essa coisa de não me importar muito comigo e priorizar a profissão. Atriz tem que saber que não dá para escolher o cabelo. Sempre tem uma caracterização.

Agora, porém, Yasmin não cortou as madeixas apenas para interpretar Thaíssa. A transformação aconteceu para viver um homem no teatro, na peça “Um tartufo”, quase um ano antes de a novela estrear. A artista confessa que ficou com medo de se desfazer de sua antiga “jubona” cacheada.

— Passei por uma transição capilar. Há dez anos, a gente achava que precisava ter fios lisos para ser linda. Quando o cabelo cresceu, eu fiquei apaixonada, as pessoas acharam maravilhoso... Fiquei com medo de me desapegar, porque nunca tinha sido tão elogiada pela minha aparência antes do cabelo natural. Só que gosto também de desdizer as coisas. Então fui lá e cortei — conta ela, que agora afirma se sentir melhor ainda e amar o corte atual: — Tem tudo a ver comigo. É superprático! As pessoas falam que é ousado, mas eu não vejo como uma grande ousadia. Não me sinto masculina, como também me perguntam às vezes. Eu me acho bonita e me sinto confiante. As roupas ficam melhores, estou sempre meio arrumada.

Sem ter muitas vaidades, Yasmin não é uma pessoa de se produzir tanto e usar muitos acessórios. Ela declara que se sente melhor ao natural e, por enquanto, descarta qualquer tipo de intervenção em seu corpo:

— Gosto de me olhar e me achar bonita, mas quero que esse “bonita” seja eu. Não digo que não faria mudança alguma. Todo mundo tem coisas no corpo que mudaria, mas não concretizaria nada. Sei que poderia ter uma boca diferente, como todo mundo faz, e é simples. Mas não tenho vontade de mexer. Eu acho interessante ser isso aqui mesmo.

Para manter a postura de aceitação, segundo ela, é necessário haver um desligamento da indústria.

— Se você olhar para o lado e se comparar, começa a se achar estranha... Hoje existe uma tendência à padronização, até do rosto, com a harmonização facial. Eu não critico, cada um tem seu livre-arbítrio. Mas, se você reparar, vai ver que as pessoas estão ficando todas parecidas... — diz ela, rindo, para logo completar: — Eu me gosto do jeito que sou, e isso é maturidade. Saber se desligar do que existe, do que está sendo feito e assumir uma postura de que você pode mudar se quiser, mas não precisa.

De acordo com Yasmin, os tempos de hoje permitem esse posicionamento:

— Havia muitas imposições em relação à beleza, mas atualmente a gente vê tanta propaganda com modelos reais... É uma mudança! Uma outra mulher está sendo exposta e vista como bonita. É isso que queremos, não aquelas propagandas supermontadas. Ainda existe padrão, mas é muito importante este momento, que propicia que a gente possa se olhar de uma maneira mais generosa.

Após conciliar uma peça de teatro e a novela, Yasmin afirma que, no momento, não está lotada de projetos. Porém, em breve, retomará seu lado musical num clipe com uma banda parceira, Trio Frito. No teatro, ela também já atuou em musicais. Num deles, sobre Cazuza, interpretou Bebel Gilberto:

— A música é uma segunda coisa, paralela. Eu tenho várias atividades: tiro tarô, canto, escrevo, atuo. O trabalho que me sustenta e ao qual eu me dedico 99% do tempo é o de atriz. Mas tem aquele 1% que eu gosto de ocupar com outras áreas que me preenchem.

Nas redes sociais, é possível ver a atriz fora da caixinha. Lá, segundo ela, tudo é o mais natural possível:

— Não gosto de montar uma personagem para o Instagram ou de expor muito a minha vida pessoal, não. Antes, tinha até um pouco de vergonha, mas hoje posto cartas do tarô todo domingo. Eu faço um ritual, que são 3 cartas que eu coloco para a pessoa pensar numa questão dela e escohler uma. À noite coloco o resultado. Gera uma interação bacana, com pessoas que têm a ver comigo e com a minha espiritualidade. Também tenho, no IGTV, o “Yasmin pensa”, em que dou minhas opiniões. Viu que eu gosto de falar, né?