Com Covid-19, grávidas contam as lutas que travaram contra a doença para terem os filhos no colo

Ana Letícia Leão e David Barbosa
Ana Carolina Araújo teve suspeita de Covid-19, enquanto estava grávida e só pode ver sua filha Manuela após 8 dias da cesariana

Bem antes de terem seus bebês no colo, gestantes contam hoje, no Dia das Mães, detalhes do teste maternal duríssimo por que passaram ao se descobrirem infectadas pelo novo coronavírus. A enfermeira Neuma Vasconcelos, de 35 anos, vinha tendo uma gestação perfeita até começarem os sintomas do que parecia, no início, um resfriado comum. Uma semana depois, com falta de ar e dor no corpo insuportável, ela deu entrada na UTI da maternidade Perinatal da Barra, onde trabalha. Era a Covid-19. Com 30 semanas de gestação, ela passaria 12 dias internada.

— Houve uma noite em que achei que morreria. Era uma falta de ar terrível. Cheguei a ficar seis dias sem falar, comendo apenas alimentos líquidos — lembra.

Passado o período pior, numa manhã de sábado, já com as dores atenuadas e sem respirar com a ajuda de aparelhos, ela soube pelo médico que, no dia seguinte, poderia voltar para casa. Mas a primeira contração veio poucas horas depois e, naquela mesma noite, nasceu Bella, com 32 semanas de gestação. Só quem pôde acompanhar o parto foram duas enfermeiras, colegas de trabalho da mãe.

A alta foi adiada, e Neuma só voltou a ver a filha quatro dias depois, através de um vidro. Nove dias após o parto, já livre de sintomas e com a permissão dos médicos, pôde entrar pela primeira vez na UTI e amamentar a neném.

— Quando finalmente a peguei no colo, fiquei muito emocionada. Estava com muita saudade. Tenho fé que logo tudo isso passa, e estaremos em casa, todos juntos — conta.

Ana Carolina Araújo, de 20 anos, contava os dias para a chegada de Manuella. No entanto, quando a bebê nasceu, com três semanas de antecedência, a jovem mãe também teve que se conformar em vê-la rapidamente e à distância. Ela estava internada com suspeita de Covid-19 na maternidade Fernando Magalhães:

— Conheci minha primeira filha por chamada de vídeo. Só queria poder ter curtido aquele primeiro momento com ela. Via as pessoas ao meu lado passando mal com falta de ar, tossindo muito, e eu ali, operada.