Com Covid, Paris volta ao topo do ranking das cidades mais caras do mundo

O Globo, com agências
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RIO — Mudar para uma cidade grande, no exterior, e ter uma vida nova, cheia de glamour, é o maior sonho de muitas pessoas. Mas a vida em metrópoles tem um custo, alto na maioria das vezes. Ainda mais se as cidades escolhidas forem Hong Kong, Paris ou Zurique, as mais caras do mundo, aponta um estudo publicado na edição desta quarta-feira da revista "The Economist".

As duas cidades europeias passaram à frente de Cingapura e Osaka, que empataram com Hong Kong na Pesquisa Mundial de Custo de Vida anterior, divulgada em março. A "dança das cadeiras" no ranking é especialmente marcante desta vez, já que o relatório avalia o impacto da pandemia do novo coronavírus sobre os preços em todo o mundo.

Ainda na comparação com o estudo de março, Nova York perdeu um lugar e se situa na sétima posição, assim como Genebra, e Los Angeles caiu para o nono lugar, juntamente com Copenhague.

Assim, o ranking das dez cidades mais caras do mundo ficou assim: Hong Kong, Paris e Zurique no topo, seguidas de Cingapura, Tel Aviv, Osaka, Genebra, Nova York, Copenhaguem e Los Angeles.

Levando em conta os últimos 12 meses, Teerã deu o maior salto, subindo 27 colocações, passando da 106ª posição para a 79ª, devido ao impacto das sanções americanas, que afetaram o abastecimento, aponta o relatório The Economist Intelligence Unit (EIU), que avalia 133 cidades globais e compara o preço de uma cesta de 138 itens de uso diário em cada uma dessas localidades.

Rio de Janeiro e São Paulo perderam 23 posiçõpes e ficaram, juntas, na 119ª colocação. Isso ocorreu, segundo a EIU, devido à desvalorização do real, além dos "níveis crescentes de pobreza".

Damasco, na Síria, é a cidade com o menor custo de vida, seguida por Tashkent, no Uzbequistão, Lusaka (Zâmbia), Caracas (Venezuela) e Almaty (Cazaquistão).

Os 10 últimos colocados são completados por Karachi (Paquistão), Buenos Aires (Argentina), Argel (Argélia) e Bangalore e Chennai (Índia).

Flutuações do câmbio na pandemia

O impacto da pandemia sobre o dólar foi a principal causa da variação do custo de vida em muitos países, destaca a pesquisa.

— A pandemia fez com que o dólar perdesse valor, enquanto as moedas do oeste europeu e do norte da Ásia ganharam força, o que teve consequências no preço de bens e serviços — destacou Upasana Dutt, que está entre os responsáveis pelo estudo.

"Paris e Zurique se uniram a Hong Kong no topo da lista devido à alta do euro e do franco suíço", indica o relatório, segundo o qual os preços em Cingapura caíram principalmente devido à redução da demanda causada pelo êxodo de trabalhadores estrangeiros.

Em Osaka, terceira maior cidade do Japão, "os preços de bens de consumo ficaram estagnados e o governo japonês subsidiou custos como o do transporte público", assinala o texto. A israelense Tel Aviv aparece junto com Osaka entre as dez cidades mais caras.

As flutuações cambiais devido à pandemia — que incluiu uma queda do dólar americano — significam que os destinos na África, nas Américas e na Europa Oriental ficaram mais baratos desde março, enquanto a Europa Ocidental, onde o euro subiu em valor em relação ao dólar, viu os preços subirem. O franco suíço também aumentou de valor.

Em algumas cidades, as ações do governo provocaram mudanças nos preços. Alguns países — como a Argentina — impôs novos controles de preços em meio à alta demanda de compradores em pânico. Outros aumentaram os impostos para compensar as reduções de receita.

Por exemplo, a queda do preço do petróleo levou o governo saudita para aumentar o imposto sobre valor agregado (IVA) de 5% para 15% a partir de julho de 2020. destaca o relatório.

Além disso, muitos países viram uma queda acentuada na renda disponível, apesar do apoio do governo. Por precaução, os consumidores responderam economizando mais e cortando custos.

O estudo aponta ainda que mudanças no estilo de vida causadas pela pandemia também influenciaram os preços, já que os consumidores que ficaram em casa passaram a ter uma nova visão dos bens e serviços que consideram essenciais.