Com crise financeira e quarentena do coronavírus, donos de imóveis deixam de cobrar aluguel

Anita Efraim
·3 minuto de leitura
Money from Brazil. Notes of Real, Brazilian currency. Calculator.Concept of economy
Senado votará medida que suspende aluguel de pessoas afetadas pela crise (Foto: Getty Creative)

A situação financeira no mundo todo está complicada com a crise do coronavírus. Para alguns, o home office funciona, mas, para outros, é impossível. Consequentemente, fica mais difícil pagar as contas, entre elas, o aluguel.

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Cientes da situação, alguns donos de imóveis têm flexibilizado o pagamento do aluguel dos inquilinos. É o caso de Júlia Duarte, dona de sete salões comerciais em Mauá, na Grande São Paulo. “Temos um grupo para falar sobre os imóveis, alterações e coisas do tipo. Na semana em que João Doria decretou a quarentena no estado, eles comentaram no grupo de fecharem e perguntaram como ficaria o aluguel”, relata.

Ela conversou com os irmãos e com a cunhada, que também são donos do espaço, e propôs reduzir o aluguem em 50%. “Os inquilinos tinham trabalhado três quartos do mês nos imóveis, mas muitos deles tinham pago os alugueis no dia 10 e 15, então, provavelmente não iriam conseguir juntar dinheiro para pagar novamente no mês de abril, especialmente sem trabalhar”, explica Júlia.

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Quem aluga os imóveis dela são negócios de bairro. Assim, com a parte do aluguem que recebeu, ela pagou as contas de consumo, como água, luz e IPTU. No próximo mês, ela não deve fazer nenhum tipo de cobrança. “Não tem expectativa de reabrirem tão cedo, não é justo e eles não têm de onde tirar. Eles já pagam aluguel de moradia, pagar de comércio sem poder trabalhar acaba sendo complicado.”

Júlia vê essa renda como um extra, especialmente porque a rotatividade dos imóveis é alta. Por isso, ela se considera preparada para enfrentar os meses sem o pagamento.

A situação de Miguel Blanco é diferente. Não receber o valor do aluguel de um imóvel em Santos vai afetar o orçamento do mês. Mesmo assim, ele optou por atender o pedido da inquilina de pagar apenas condomínio e IPTU. “Aceitei até por ser uma boa inquilina e comerciante, e o comércio está fechado”, explica.

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Miguel encara a medida como uma forma de ajudar a amenizar os efeitos que a pandemia está causando na vida da inquilina. “Ela foi bastante correta no pedido. Me disse que ela até teria todo o aluguel para me pagar, mas estava com medo de não ter condições financeiras para se manter durante o mês”, conta.

NEM TODO MUNDO

Acontece que nem todos os donos de imóveis estão abrindo mão do valor. Gabriel é inquilino de um imóvel na Zona Norte do Rio de Janeiro e, neste mês, o locador reajustou o aluguem e ainda incluiu um valor de “taxa de incêndio”, cobrado pelo condomínio.

Gabriel recebe ajuda do pai, comerciante, para pagar o valor. Com o estabelecimento fechado, ele está com dificuldades financeiras. “Pedi um desconto para poder manter em sai, mas foi negado”, diz.

O locador afirmou que precisava da renda, mas Gabriel não sabe até quando conseguirá pagar o valor.

NOVAS LEIS

Na próxima sexta-feira o Senado vai votar um projeto que inclui a possibilidade de suspensão total ou parcial do pagamento de aluguel por inquilinos atingidos pela crise financeira. Segundo o texto, os alugueis suspensos serão os que vencem entre 20 de março e 30 de outubro.

O projeto foi apresentado pelo senador Antonio Anastasia (PSD-MG), mas o pedido inicial foi feito pelo presidente do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli.