Com 'dívidas' na reforma tributária, Skaf suspende manifesto a pedido de Lira, afirmam empresários

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***ARQUIVO***SÃO PAULO: Presidente da Fiesp, Paulo Skaf. (Foto: Mathilde Missioneiro/Folhapress)
***ARQUIVO***SÃO PAULO: Presidente da Fiesp, Paulo Skaf. (Foto: Mathilde Missioneiro/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - A decisão do presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), Paulo Skaf, de adiar a publicação de manifesto que pedia a harmonia entre os Poderes é atribuída por empresários a um gesto dele a Arthur Lira (PP-AL), presidente da Câmara.

Segundo signatários da nota que seria divulgada nesta semana, Skaf justificou o adiamento como uma forma de atender a um pedido do deputado para postergar a publicação do texto.

Para empresários, além de já ter sido próximo do governo de Jair Bolsonaro (sem partido), o presidente da Fiesp estaria em débito com o parlamentar por ter acatado pleitos do setor na reforma do Imposto de Renda.

Skaf é um crítico da proposta do IR, mas foi escalado por Lira como interlocutor junto ao setor produtivo. O relator da reforma tributária, Celso Sabino (PSDB-PA), esteve na Fiesp ao menos quatro vezes para conversar com o empresário.

Com a negociação, alguns pontos defendidos pela Fiesp teriam sido contemplados no relatório de Sabino, como a isenção de tributação sobre dividendos a empresas do mesmo grupo econômico e para micro e pequenas empresas e o regime de tributação monofásica de cosméticos, perfumaria e higiene pessoal.

Em nota oficial divulgada nesta segunda-feira (30), porém, a Fiesp afirmou ter adiado a publicação do manifesto para dar mais tempo para entidades aderirem ao texto.

Lira, por sua vez, telefonou a Skaf a pedido de integrantes do governo, segundo o próprio empresário relatou a pessoas próximas.

Entre aliados de Bolsonaro, a avaliação é que a defesa de harmonia entre os Poderes às vésperas do 7 de setembro seria uma sinalização ruim, pois poderia dar a impressão de que o setor produtivo está contra o governo ou mesmo ser interpretado como um desembarque de empresários da base de apoio de Bolsonaro.

Além do mais, de acordo com interlocutores no Palácio do Planalto, um texto do tipo poderia ser entendido como um endosso de atores econômicos à leitura de que as manifestações de 7 de setembro têm caráter antidemocrático. Nesse sentido, o adiamento do manifesto foi visto como positivo pelo governo.

Parte do empresariado contesta o adiamento da carta por avaliar que dilui o impacto que o texto teria antes das manifestações convocadas para defender o governo. Apesar de não haver data para publicar o manifesto, interlocutores de Skaf avaliam que isso deve ocorrer após 7 de setembro.

O movimento de Lira ocorreu após o envio, há cerca de dez dias, de uma minuta da carta pela Febraban (Federação Brasileira de Bancos) aos bancos públicos. Nela, haveria críticas contra o governo Bolsonaro, particularmente ao trabalho do ministro da Economia, Paulo Guedes, diante de um crescimento econômico pífio e o aumento do desemprego.

Naquele momento, os dirigentes do Banco do Brasil e da Caixa se recusaram a assinar o documento que, na avaliação de ambos, fala em "retomada do crescimento e geração de empregos".

Nesse meio tempo, Lira entrou em campo para tentar desidratar o documento ou impedir que fosse publicado. Mesmo que a carta não fosse um ataque frontal ao governo, os bancos públicos colocaram como condição para sua permanência na Febraban que a documento fosse assinado pelas instituições individualmente -e sem o endosso da entidade.

A estratégia do governo é seguir pressionando contra a divulgação do documento, principalmente a partir do poder de pressão dos bancos públicos. De acordo com um interlocutor, só a saída da Caixa representaria uma perda anual de cerca de R$ 30 milhões para a entidade, pagos como contribuição.

Em entrevista após reunião com o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), na manhã desta segunda, Guedes disse que "alguém" da Febraban teria transformado o documento em um ataque ao governo Jair Bolsonaro.

"A informação que tenho é que havia um manifesto em defesa da democracia, que não haveria problema nenhum, e que alguém na Febraban teria mudado isso para, em vez de ser uma defesa da democracia, seria um ataque ao governo. Aí a própria Fiesp teria dito 'então não vou fazer esse manifesto'. E o manifesto está até suspenso por causa disso. Não estão chegando a um acordo", afirmou o ministro.

Em nota, a Fiesp diz ter enviado consulta a entidades para subscreverem o manifesto "em favor do entendimento e da harmonia entre os três poderes da República."

"Em 24 horas, recebemos mais de 200 adesões, das mais representativas entidades brasileiras", indicou a federação, que afirmou que dezenas de outras entidades também manifestaram interesse em participar.

"Em função desse cenário, informamos que estendemos o prazo para novas adesões, que poderão ser feitas ao longo da semana."

Já a Febraban afirmou que o manifesto atraiu a assinatura de 200 entidades empresariais pedia "serenidade, harmonia e colaboração entre os Poderes da República" e que não participou da elaboração de texto com ataques ao governo ou críticas à atual política econômica.

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