Com decisão do STF, Lula ganha ingresso e discurso para 2022

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SAO BERNARDO DO CAMPO, BRAZIL - MARCH 10: Luiz Inacio Lula da Silva, Brazil's former president, puts on his face mask during a press conference after convictions against him were annulled at the Sindicato dos Metalurgicos do ABC on March 10, 2021 in Sao Bernardo do Campo, Brazil. Minister Edson Fachin, of the Federal Supreme Court, annulled on Monday the criminal convictions against former leftist President Luiz Inacio Lula da Silva on the grounds that the city of Curitiba court did not have the authority to try him for corruption charges and he must be retried in federal courts in the capital, Brasilia. The decision means Lula regains his political rights and would be eligible to run for office in 2022. (Photo by Alexandre Schneider/Getty Images)
O ex-presidente Luiz Inacio Lula da Silva. Foto: Alexandre Schneider/Getty Images

Por 7 a 2, placar da votação antes do pedido de vista de Marco Aurélio Mello, a maioria dos ministros do Supremo Tribunal Federal concordou, na quinta-feira 22, que é válida a decisão da Segunda Turma da Corte que considerou o ex-juiz Sergio Moro suspeito no julgamento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no caso do triplex.

Com isso, o petista ganha não apenas a possibilidade de disputar a eleição do ano que vem. Ganha o discurso para ser explorado até a última gota de saliva contra dois adversários declarados. A Lava Jato e Jair Bolsonaro.

Um é beneficiário da outra, embora hoje estejam divorciados. E só um, na prática, é de fato oponente.

Hoje a Lava Jato é só um quadro na parede, algo impensável antes da série de reportagens do site The Intercept Brasil com base nas mensagens obtidas pelos hackers de Araraquara.

Bolsonaro, sem o discurso e a onda lava-jatista, já não tem a mesma força política. Parte em direção a 2022 com um piso alto e um teto baixo nas pesquisas de intenção de voto.

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Pesa contra ele, além do fiasco na condução da pandemia, o rebaixamento em todas as esferas sofridas pelo país em sua gestão. O discurso esvaziado na Cúpula de Líderes sobre o Clima, cheio de promessas sem pé nos fatos ou nas notícias recentes, sem que fosse ouvido sequer pelo anfitrião, Joe Biden, é exemplo disso.

Lula poderá dizer que o inferno astral brasileiro é decorrente de um julgamento viciado, tocado por um juiz posteriormente declarado parcial, e que levou à eleição de um aventureiro à Presidência. E que este, por sua vez, levou a sério a estratégia de seu ex-chanceler em transformar o país em um pária internacional.

Fica difícil não fazer a associação quando se lembra que Sergio Moro, o juiz símbolo da operação, aceitou trabalhar como ministro da Justiça de Bolsonaro. Isso antes de ser engolido pelo bolsonarismo. Foi na gestão do capitão, vale lembrar, que a força-tarefa chegou ao fim, como queria o procurador-geral da República escolhido a dedo pelo presidente.

A decisão do STF mostra que a Lava Jato já não move as ruas, as canetas e os votos das instâncias superiores como antes. Quem não se lembra quando o próprio Gilmar Mendes, hoje ferrenho opositor da operação, barrou a nomeação de Lula para a Casa Civil após o grampo ilegal da conversa entre o ex-presidente e sua sucessora, Dilma Rousseff?

Outros tempos.

Moro, se aventou em algum momento a possibilidade de chegar ao STF, viu a trajetória obstruída desde a divulgação das primeiras mensagens da Vaza Jato. Elas mostraram que, como juiz, Moro era um ótimo procurador.

A suspeição, já decidida pela 2ª Turma do STF, praticamente zera o jogo. Lula, que chegou a cumprir mais de 500 dias da pena, volta agora a ser réu. Como denunciado, tem outros processos a responder. Disso não vai se livrar até 2022. Mas, com as provas da primeira condenação em xeque, dificilmente será julgado até a eleição.

Se quiser mesmo disputar a Presidência pela sexta vez, terá a partir de hoje uma segunda volta na corrida de obstáculos. A maior delas será reduzir a ainda alta rejeição entre os eleitores e, em especial, entre determinados grupos da sociedade notadamente avessos ao projeto petista. A começar pelo empresariado, hoje em processo acelerado de desencanto com Bolsonaro e equipe. Militares, forças de segurança e grupos religiosos vêm na sequência.

Para sorte dele, o antipetismo, que foi a grande força motora do país pós-Lava Jato que foi às urnas em 2018, tem hoje um adversário à altura. O anti-bolonarismo.

Falta saber se os que se declaram nem-nem (nem Lula nem Bolsonaro) formam um agrupamento suficiente para ao menos colocar o pé no segundo turno. A derrota desta quinta-feira 22 deixou claro que essa via não será ocupada por Sergio Moro, ex-futuro-ministro do STF e ex-futuro candidato a presidente que agora presta serviços a uma consultoria norte-americana responsável por ajeitar a vida das empresas que ajudou a condenar.

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