Com demissão de Ernesto, Bolsonaro mexe em metade dos ministérios em dois anos de mandato; saiba quem saiu

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RIO - Em pouco mais de dois anos de mandato, o presidente Jair Bolsonaro já mexeu em metade dos ministérios e órgãos com status de ministério anunciados na posse, em janeiro de 2019. Das 22 pastas do governo federal que tiveram chefes empossados por Bolsonaro no início do governo, 11 sofreram alterações. O cálculo já inclui a saída do ministro Ernesto Araújo (Relações Exteriores), que decidiu pedir demissão na manhã desta segunda-feira após sucessivos atritos com o Congresso.

Por ter sido recriado apenas em junho de 2020, o Ministério das Comunicações, comandado por Fábio Faria, não entra neste cálculo. Com a pasta, o número de ministérios ou órgãos com status similar -- casos do Banco Central e da Advocacia-Geral da União, por exemplo -- sobe para 23.

Relembre os ministérios em que já houve mudança:

Relações Exteriores

A informação do pedido de demissão de Ernesto Araújo, que chefiava o Itamaraty desde o início do governo Bolsonaro, foi repassada pelo próprio chanceler a seus subordinados em reunião nesta segunda-feira. Segundo fontes do Planalto, Araújo e Bolsonaro terão mais uma reunião às 17h. O chanceler disse que não quer ser um problema ao governo e colocou cargo à disposição.

O ministro vinha sendo questionado pelo Congresso. Na semana passada, o presidente da Câmara, Artur Lira, e do Senado, Rodrigo Pacheco, pressionaram o presidente Jair Boldonaro a demitir o chanceler. Lira chegou a dizer que Araújo perdeu a capacidade de dialogar com países.

Turismo

O então ministro Marcelo Álvaro Antônio foi demitido em dezembro de 2020 após uma discussão áspera com Luiz Eduardo Ramos, responsável pela Secretaria de Governo e um dos aliados mais próximos de Bolsonaro. Álvaro Antônio já havia balançado no cargo no ano anterior, após ser denunciado por um suposto esquema de candidaturas laranja do PSL nas eleições de 2018.

No lugar de Álvaro Antônio, quem assumiu a pasta do Turismo foi Gilson Machado, que ocupava a presidência da Embratur.

Justiça e Segurança Pública

O ex-juiz Sergio Moro foi demitido por Bolsonaro em abril de 2020 e alegou que o presidente havia tentado exercer influência indevida na Polícia Federal.

Meses antes da demissão, Moro já havia ameaçado deixar o cargo caso Bolsonaro dividisse a pasta em duas, levando à recriação do Ministério da Segurança Pública -- à época, o presidente negou a divisão e garantiu que não atuaria por uma mudança no comando da PF.

Advocacia-Geral da União

Com a saída de Moro do governo, o então advogado-geral da União, André Mendonça, assumiu a pasta da Justiça e Segurança Pública. Mendonça vem sendo cotado para a vaga no Supremo Tribunal Federal (STF) que se abrirá em julho, com a aposentadoria do ministro Marco Aurélio Mello. Por ora, ele segue no governo.

No lugar de Mendonça, José Levi Mello do Amaral Junior assumiu a AGU, em abril do ano passado.

Saúde

Após diversos atritos com Bolsonaro, por divergências na forma de lidar com a pandemia de Covid-19, Mandetta foi exonerado do Ministério da Saúde em abril de 2020. Seu substituto, Nelson Teich, durou menos de um mês. Ele pediu demissão em maio de 2020 alegando divergências com Bolsonaro.

O general da ativa Eduardo Pazuello, que já ocupava a secretaria-executiva do Ministério da Saúde na gestão Teich, assumiu a pasta interinamente e foi efetivado ainda no ano passado. Após dez meses, no entanto, Bolsonaro anunciou há uma semana sua substituição pelo cardiologista Marcelo Queiroga.

Educação

Ricardo Vélez, empossado em janeiro de 2019, deixou o Ministério da Educação três meses depois, após uma gestão considerada desastrosa, com demissões em série no ministério. Seu substituto, Abraham Weintraub, foi exonerado em junho de 2020 em meio a desgaste com o Supremo Tribunal Federal (STF), por ele ter defendido a prisão de ministros.

Anunciado como substituto de Weintraub, Decotelli ficou menos de uma semana no cargo e pediu demissão antes mesmo de tomar posse, depois de uma série de inconsistências em seu currículo serem descobertas. Em seu lugar, o pastor Milton Ribeiro assumiu o MEC -- o cargo, no entanto, é cobiçado pelo centrão numa possível reforma ministerial.

Casa Civil

Empossado em janeiro de 2019 na Casa Civil, Onyx Lorenzoni deixou o cargo em fevereiro do ano seguinte para assumr o Ministério da Cidadania. O posto foi assumido pelo general Braga Netto, que permanece no cargo.

Secretaria-Geral da Presidência

Após deixar o Ministério da Cidadania para a entrada de João Roma, em fevereiro deste ano, Onyx assumiu a Secretaria-Geral, tornando-se o quarto nome a chefiar a pasta no atual governo.

A Secretaria-Geral da Presidência foi comandanda por cerca de dois meses por Gustavo Bebianno, primeiro ministro exonerado do governo Bolsonaro. Ele foi substituído por Floriano Peixoto, que durou poucos meses e saiu da pasta em junho de 2019, para assumir a presidência dos Correios, cargo que ocupa até hoje. No lugar de Floriano, Jorge Oliveira ficou na Secretaria-Geral até dezembro do ano passado, quando foi indicado para uma vaga no Tribunal de Contas da União (TCU).

Cidadania

Com atuação questionada, Osmar Terra foi demitido do Ministério da Cidadania em fevereiro do ano passado, após cerca de um ano no cargo. Após a passagem de Onyx pela pasta, o cargo foi assumido em fevereiro pelo deputado João Roma (Republicanos-BA), integrante do centrão e aliado do presidente nacional do DEM, ACM Neto.

Desenvolvimento Regional

Em fevereiro de 2020, Canuto foi demitido do Ministério do Desenvolvimento Regional e foi deslocado para a presidência da Dataprev. Em seu lugar, assumiu a pasta o ex-deputado Rogério Marinho, que passou a organizar uma rotina de viagens com Bolsonaro e a liderar uma ala do governo que deseja furar o teto de gastos.

Secretaria de Governo

O general Carlos Alberto dos Santos Cruz, primeiro ministro da Secretaria de Governo e amigo pessoal do presidente, deixou o cargo em junho de 2019, depois de sofrer ataques de Carlos Bolsonaro e do ideólogo Olavo de Carvalho. Em seu lugar, Bolsonaro nomeou o também general Luiz Eduardo Ramos.