Com desvalorização do dólar em 2016, dívida das empresas com capital aberto cai 11,89%

Economatica

A dívida bruta de 285 empresas de capital aberto brasileiras, isto é, que tem ações negociadas na Bovespa, foi de R$ 1,23 trilhão em 2016, valor 11,89% inferior ao de 2015 quando as mesmas companhias registraram R$ 1,40 trilhão.

A dívida líquida no ano passado foi de R$ 875 bilhões, 12,14% menor do que em 2015 quando o valor registrado foi de R$ 996 bilhões. O caixa das empresas também apresentou queda de 11,29%, somando R$ 362 bilhões. Os dados são do levantamento da Economatica.

Segundo o economista Raí Chicoli, um dos principais motivos para a lenta recuperação da atividade econômica é o elevado endividamento das empresas, que focam na redução de custos e com isso adiam investimentos e contratações. Então, essa queda é um bom sinal diante da atual recessão que o país enfrenta.

Entretanto, a demanda menor devido à crise dificulta a captação de recursos, o que contribui para a redução do caixa das empresas. Por isso, o “processo de ajuste do balanço deve durar até o fim do ano, quando as companhias poderão chegar a um nível confortável e assim voltar a investir e contratar”, afirma Raí.

Dívida x caixa

Apesar de “dívida” ter uma conotação negativa para a maioria das pessoas, ela é uma importante ferramenta para as companhias alcançar seus planos de expansão e inovação, por exemplo.

Normalmente, as empresas não têm recursos em caixa suficientes para realizar todos os investimentos e precisam recorrer ao crédito bancário ou mercado de capitais.

Mas o grau de endividamento deve acompanhar a geração de caixa e um descompasso entre os dois pode indicar que a saúde financeira da empresa não vai bem. “O melhor cenário é quando a companhia se endivida para aumentar o investimento, que irá aumentar seu caixa futuramente, a um nível que seja considerado confortável para o seu setor”, explica o economista.

Impacto do dólar na dívida

As empresas de grande porte geralmente buscam recursos no mercado de crédito internacional, que possui taxas mais baixas do que o mercado interno. Por isso, boa parte da dívida é alocada em moeda estrangeira, sendo o dólar a mais comum.

Com a desvalorização do dólar no ano passado, a dívida total das empresas foi reduzida, já que o poder do real diante da moeda estrangeira aumentou.

Para verificar esse impacto, a Economatica analisou as empresas que publicaram os dados de financiamentos no mercado internacional. A dívida bruta de cem empresas foi de R$ 424,9 bilhões, sendo que R$ 175,1 bilhões foram em moeda estrangeira, representando 41,22%.

Com a queda da cotação do dólar, o montante caiu 16,9% no ano passado em relação a 2015. No mesmo período, o dólar Ptax venda teve queda de 16,5%, o que confirma que a redução da dívida das empresas foi influenciada pela variação cambial. O dólar em dezembro de 2015 fechou em R$ 3,90 contra R$ 3,26 no final de 2016.

Maiores dívidas

A Petrobras é a empresa com maior estoque de dívida bruta com R$ 385,78 bilhões, valor 21,72% inferior ao de 2015. A Vale vem em seguida com R$ 95,5 bilhões (-15,18%) e depois, a JBS com R$ 56,2 bilhões (-14,61%).

Em relação à dívida líquida, a Petrobras também encabeça a lista com R$ 314,1 bilhões, valor 19,86% inferior ao de 2015. Depois aparecem Vale com R$ 81,6 bilhões (-17,21) e JBS com R$ 46,9 bilhões (-0,28%).

Por Daiane Brito