Com ecos de senilidade, o ostracismo de um Youtuber que jurava ser presidente

Com ecos de senilidade, o ostracismo de um Youtuber que jurava ser presidente

Por Caroline Oliveira e André Zanardo

Michel Temer não superou a alcunha de “vice-decorativo” que deu a si mesmo quando escreveu uma carta aberta à ex-presidenta Dilma Rousseff. Deixado à míngua pelos partidos de sua base, tentou disputar miseravelmente a vaga de candidato à Presidência pelo MDB com Henrique Meirelles. Hoje o resta somente apoiá-lo figurativamente. Lutando para não se afogar, Temer desata a ter “explosões nervosas” e publicá-las no Twitter.

Evitado por todos, sejam amigos ou inimigos, provavelmente será jogado ao esquecimento. Até mesmo Meirelles, que não chega aos 2% das intenções de voto, esforça-se para desassociar sua imagem do governo Temer, prefere relembrar os anos Lula.  

Sem nada perder, o atual presidente postou um vídeo na noite de ontem, 5 de setembro, no qual fala diretamente ao presidenciável do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) Geraldo Alckmin. Deixou sua face recatada de lado e chamou o tucano de falso, creio que o seja por rapinar o Centrão para si e levar o emedebista ao ostracismo, quebrando o acordo estabelecido em 31 de agosto de 2016, quando a cortina de boca perdeu o sentido de existir. Temer, com os dias contados para ser lembrado apenas enquanto golpista à luz da História, iniciou seu novo projeto como Youtuber político.

 

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Em tom de intimidade, Temer desfila o “você, Geraldo, era diferente” e insiste em atribuir a falsidade ao distanciamento anômalo que o tucano tenta miseravelmente criar entre os dois.

O próprio emedebista faz questão de frisar a proximidade entre PSDB e MDB. O Ministério da Saúde esteve com o Partido Progressista (PP) no governo atual, interna-se na chapa tucana por meio da ex-senadora Ana Amélia. A área de Indústria e Comércio no governo atual teve como chefe Marcos Pereira do Partido Republicano Brasileiro, o qual tentou lançar Flávio Rocha como candidato à presidência, mas decidiu fechar apoio ao Alckmin. O Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), que esteve no Ministério do Trabalho por um período, também se aconchega aos tucanos. Sem contar o próprio PSDB que chegou a ir para dentro do Palácio do Planalto quando Antônio Imbassahy assumiu o cargo de Ministro-chefe da Secretaria de Governo, em fevereiro de 2017. Sob a luz do presidencialismo de coalizão e da insurgência pelo golpe, tucanos e emebistas estiveram muito próximos.

E como ironicamente bem sabe Michel Temer, a melhor forma de prejudicar Alckmin é associá-lo a ele. Alckmin is the new Temer.

 

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Na tarde de hoje, 6 de setembro, Temer, numa epifania de senilidade e em desrespeito ao decoro institucional, decidiu publicar mais um vídeo pessoal Desta vez, para o possível presidenciável do Partido dos Trabalhadores (PT), chamando-o a cumprir o que está fincado na Constituição, como se o governo atual não fosse marcada pela supressão de direitos, ainda que Alckmin carregue toda a sua estrutura.

Temer, de dentro do seu país das maravilhas, numa alegoria nonsense, parece se forçar a acreditar que a reforma trabalhista recupera a modernidade no Brasil respeitando a legislação, ainda que estudos provem o contrário. De fato, “ninguém quer cumprir a lei”.

Se hoje, vende-se a ideia que mais veste os trajes de verdadeiro, Temer se torna em si mesmo uma notícia falsa divulgada no Twitter. Deve acreditar, somente agora, que seu governo não faz juz à Constituição e à soberania popular. Contudo, em um último respiro como presidente, mesmo sem acreditar que o MDB possa fazer parte do próximo governo, trava uma guerra mesquinha na tentativa de frustrar a campanha dos seus inimigos.

A atípica eleição presidencial de 2018 poderia ser uma janela para um respiro democrático. A ordem do dia é esquecer Temer, mas o presidente está a todo custo tentando permanecer nos holofotes.

Assistiremos, portanto, o esperneamento infantil de um homem que jamais poderia sequer ter sentado na cadeira da Presidência da República senão pelos meios obscuros do golpe. Quem será o próximo presidenciável a ser convidado para participar do canal do presidente que agora tenta a carreira de Youtuber?