Com enxurrada de votos antecipados, institutos modificam pesquisa boca de urna

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Com mais de 100 milhões de pessoas votando de maneira antecipada na eleição americana, os institutos de pesquisa do país tiveram que modificar a maneira como conduzem a boca de urna no país. Tradicionalmente esse tipo de levantamento é feito a partir apenas de entrevistas realizadas na saída das seções eleitorais. O problema é que com o recorde de votos antecipados, as pesquisas poderiam sair distorcidas se levassem em conta apenas que votou presencialmente nesta terça (3). De maneira geral, mais democratas votam de maneira antecipada, enquanto mais republicanos votam presencialmente, por exemplo. Ou seja, se o levantamento só levasse em conta os votos desta terça, ele provavelmente mostraria um resultado para o presidente Donald Trump melhor do que o real, enquanto apontaria números piores para Joe Biden. Para evitar isso, a principal empresa que faz esse tipo de levantamento nos EUA, a Edison Research —que sondagens para os canais de TV ABC News, CBS News, CNN e NBC News— anunciou que as pesquisas finais desse ano vão juntar entrevistas feitas presencialmente com quem votou nesta terça com entrevistas feitas por telefone com pessoas que já votaram, de maneira a refletir melhor o eleitorado. Isso, porém, aumenta a possibilidade de erros na amostra geral de entrevistas, o que deve deixar as pesquisas de boca de urna menos confiáveis. O site especializado FiveThirthyEight, por exemplo, já anunciou que não deve levar esses levantamentos em conta na hora de fazer as projeções desta noite. A boca de urna também costuma servir para mostrar as características demográficas de quem de fato votou —apontando, por exemplo, qual foi o comparecimento entre grupos étnicos e por escolaridade. Assim, com a modificação no modo como essas pesquisas vão ser realizadas, não há garantias se esses dados vão ser confiáveis.