Com filiação de Bebianno, Doria reforça tentativa de fortalecer PSDB no Rio

João Paulo Saconi

RIO - O ex-ministro da Secretaria Geral de Governo Gustavo Bebianno foi recebido pela porta da frente como novo filiado do PSDB no Rio de Janeiro, em evento realizado para homenageá-lo em um hotel carioca neste domingo. A cortesia da recepção ficou por conta do governador João Doria, que em outubro convidou Bebianno para a sigla com o objetivo de fortalecê-la diante dos eleitores fluminenses, visando as próximas eleições.

No contexto de sucessivas derrotas tucanas entre os eleitores do estado, Bebianno assumirá o diretório municipal da capital com a tarefa de selecionar e alavancar candidaturas de vereadores no ano que vem. Para a disputa pela prefeitura do Rio, que em julho o ex-ministro confessou ter vontade de enfrentar, o PSDB já escalou Mariana Ribas, ex-secretária de Cultura do município. A pré-candidatura dela foi lançada em setembro e, durante a filiação de Bebianno, voltou a ser tratada como a grande aposta de Doria e de Paulo Marinho, presidente estadual do partido, para 2020.

Além do governador, da cúpula do PSDB fluminense e da futura pré-candidata, estiveram presentes prefeitos e vereadores da sigla, muitos com aspirações eleitorais que visam o próximo pleito. Também participou do encontro o general Maynard Marques de Santa Rosa, que se demitiu Secretaria de Assuntos Estratégicos do governo federal em novembro. Ele havia sido nomeado por Bebianno, antes da exoneração do então ministro ser oficializada pelo presidente Jair Bolsonaro após um processo de "fritura" pública que durou uma semana, em fevereiro.

Ao dar as boas-vindas ao novo colega de partido, Doria o exaltou por qualidades como coragem e determinação. Em seu discurso, o governador fez alusão à atuação de Bebianno como um dos principais cabos eleitorais de Bolsonaro e disse que, a partir de agora, ele está "na direção certa".

— Tudo que você (Bebianno) fez, foi pensando no melhor. Pensando no seu país, no seu povo. É exatamente pela mesma razão que agora você está na direção certa. E o passado não foi um erro, mas sim um aprendizado. Foi experiência, tem seu preço e seu valor — disse Doria.

Bebianno, que falou ao público antes do governador, já havia feito menção ao período em que esteve ao lado do presidente, de quem acabou se tornando adversário político. Ao se dirigir a Paulo Marinho, a quem chama de "irmão" e com quem trabalhou pela vitória de Bolsonaro, o ex-ministro afirmou que "não há mais volta" e que "os navios já foram queimados", mas "resta seguir em frente". Em seu cumprimento ao general Santa Rosa, citou o slogan bolsonarista ao afirmar que cumprimenta respeitosamente os militares que "colocam de fato, e não apenas na retórica, o Brasil acima de todos".

— Aprendi que o verdadeiro militar jamais abandona um soldado pelo caminho, nem lhe atira pelas costas. Emboscar o próprio companheiro de tropa e mentir sobre o seu caráter para lhe subtrair a honra e a reputação é hipótese inadmíssivel no código de ética militar — defendeu Bebianno.

Doria pede guinada ao centro

Em paralelo à filiação de Bebianno, Doria também disse aos correligionários que o fortalecimento do PSDB do Rio precisa envolver uma campanha de filiação de jovens e mulheres, bem como um aprimoramento da expertise dos tucanos na comunicação via internet e redes sociais. Na lista de reforços necessários, o político também incluiu a filiação do deputado estadual Max Lemos (MDB-RJ), a quem convidou publicamente para integrar os quadros da legenda.

O governador também pediu que o partido busque unir o Brasil e diminuir a polarização política, tomando posições ao centro do espectro político e criando distância de extremismos de direita e esquerda. Ao ser questionado, em entrevista coletiva após o fim do evento, Doria aprofundou o discurso:

— O PSDB não é mais o partido de teste. É o partido de ação, de razão e de conclusão. Estarão bem avaliados aqueles que fizerem bom governo e é isso que nós queremos fazer. O PSDB de centro é um centro mais democrático, ele pode abrigar pessoas que têm um sentimento mais à esquerda, mais à direita, ele só não vai abrigar extremimos e nem conviver com eles — declarou o governador.