Com guerra comercial, Apple quer transferir da China até 30% de sua produção

Thaís Augusto

Enquanto a guerra comercial entre Estados Unidos e China não mostra sinais de desaceleração, a Apple tenta reduzir sua dependência da manufatura chinesa. Pelo menos é o que aponta reportagem desta sexta-feira (21) do site Nikkei Asian.

De acordo com a publicação, a gigante de Cupertino solicitou a vários de seus principais fornecedores que avaliassem as implicações de custo de transferir de 15% a 30% de sua capacidade de produção da China para países do sudeste asiático. Assim, os fornecedores estariam preparados para uma "reestruturação fundamental de sua cadeia de fornecimento".

Entre as empresas que participam do processo de fabricação de um iPhone, a Apple entrou em contato com a Foxconn, Pegatron e Wistron. A Quanta Computer, fabricante de MacBooks, também foi alertada. A Compal Electronics, que fabrica iPads, e as companhias Inventec, Luxshare, TIC e GoerTek, dos AirPods, completam a lista das que receberam notificações da Apple.

A Nikkei Asian ainda diz que muitas outras fornecedoras da Apple, como as de placas de circuito e de revestimento, estão monitorando de perto a situação para descobrir para onde as montadoras devem transferir sua produção.

Robô Daisy é usado em processo de desmontagem de iPhones (Foto: Reprodução / MacRumors)

Os países considerados para a diversificação incluem México, Indonésia, Malásia, Índia e Vietnã — os dois últimos são os favoritos para a montagem de iPhones, de acordo com a reportagem. Atualmente, a empresa Wistron já fabrica uma quantidade limitada dos smartphones na Índia.

Como parte desta nova etapa, a Apple montou a chamada "equipe de estudos de despesas de capital", que está encarregada de negociar as novas instalações com fornecedores e governos. Embora os planos tenham sido desencadeados pela guerra comercial, a Nikkei Asian alega que a Apple decidiu que os riscos de depender tanto da manufatura na China são "grandes demais e até crescentes", mesmo se a guerra comercial for resolvida.

"Taxa de natalidade mais baixa, custos de mão-de-obra mais altos e o risco de centralizar excessivamente sua produção em um país. Esses fatores adversos não vão a lugar algum", disse um executivo com conhecimento no assunto ao site Nikkei Asian. "Com ou sem a rodada final da tarifa de US$ 300 bilhões, a Apple está seguindo a grande tendência [de diversificar a produção], dando-se mais flexibilidade".

Hoje, a Apple depende de empresas chinesas e taiwanesas para a grande maioria de suas necessidades de fabricação, portanto, diversificar a sua cadeia de suprimentos não acontecerá de um dia para o outro: a reportagem da Nikkei Asian diz que pode demorar pelo menos 18 meses até que a produção comece em outros países.


Fonte: Canaltech

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