Com hospitais lotados em todo o país, estados adotam restrições diferentes para conter Covid-19

O Globo
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SÃO PAULO - Em meio à escalada de casos de mortes causadas pela Covid-19 em todo o país, governadores e prefeitos têm tomado medidas para evitar a circulação de pessoas nas ruas, mas na ausência de uma coordenação nacional sobre as restrições as determinações variam de proibição de bebidas alcóolicas, toque de recolher e fechamento de praias.

Em São Paulo, o governo anunciou nesta quinta-feira uma fase emergencial, ainda mais rígida, a vigorar a partir da próxima segunda (15) até 30 de março. Além de estabelecer o toque de recolher em todos os 645 municípios paulistas, prevê o fechamento de praias e parques, proíbe a realização de cultos religiosos, atividades esportivas coletivas e a retirada de comidas em bares e restaurantes. Também estão proibidas de funcionar lojas de materiais de construção. Ficou também instituído o teletrabalho obrigatório em órgãos públicos e em escritórios que exerçam qualquer tipo de atividade que não seja do setor essencial.

As escolas permanecerão abertas apenas para retirada de materiais ou alimentação de alunos que necessitarem. Em relação ao transporte público - até então excluído das recomendações anteriores - a fase emergencial recomenda um escalonamento do horário de entrada no trabalho para evitar aglomerações.

Em Minas Gerais, as regiões Triângulo do Sul, Triângulo do Norte, Noroeste e Norte, que abrangem ao todo 173 município, estão em lockdown. Na chamada "onda roxa" - denominação criada pelo governador Romeu Zema na semana passada - só estão permitidas atividades essenciais: setor de alimentos, serviços de saúde, bancos, transporte público, postos de combustíveis, manutenção de equipamentos e veículos, construção civil, indústrias, lavanderias, serviços de TI, imprensa e serviços como água, esgoto e correios. Álém disso, informou o governo, também está em vigor o toque de recolher entre 20h e 5h.

Estados do Sul mantêm restrições

No Rio Grande do Sul, estado fortemente afetado pela nova onda da Covid-19, continuam valendo, até 21 de março, as regras da bandeira preta, a mais restritiva do governo estadual, anunciadas pelo governador Eduardo Leite (PSDB). A suspensão de atividades não essenciais entre 20h e 5h permanecerá vigente até 31 de março.

Desde o início dessa semana, o estado restringiu inclusive a compra de produtos não essenciais. Os estabelecimentos não podem sequer expor nas prateleiras esses produtos, como eletrônicos e bebidas alcóolicas. São considerados essenciais pelo governo do estado os bens relacionados à alimentação, à saúde e à higiene da população.

Em Santa Catarina, o governo prorrogou, nesta quarta-feira, as restrições sanitárias durante os finais de semana, com a suspensão do funcionamento de diversos serviços como shoppings, academias, bares, parques e o fornecimento de bebidas alcoólicas após as 21 horas. Apenas serviços essenciais poderão funcionar.

As regras, entretanto, não foram consideradas suficientes. O Ministério Público entrou com uma ação civil pública para que o governo estenda as restrições que valerão neste final de semana por 14 dias contínuos, além de apresentar um plano de socorro emergencial para comércios e pessoas afetadas pelas restrições de funcionamento.

No Paraná, por outro lado, a partir desta quarta-feira passou a valer um novo decreto do governo estadual que afrouxou algumas regras do lockdown decretado na última semana. Desde ontem, e por sete dias, atividades comerciais poderão funcionar em horários específicos. Restaurantes, bares e lanchonetes, por exemplo, funcionarão das 10h às 20h com 50% de ocupação.

Nos finais de semana é permitida apenas a modalidade de entrega nesse tipo de estabelecimento. Atividades essenciais, por outro lado, continuam funcionando durante todos os dias da semana. A restrição de circulação de pessoas entre 20h e 5h também prossegue.

Prefeitos agem em Goiás

No Distrito Federal, o toque de recolher estará em vigor até 22 de março, das 22h às 5h, exceto em caso de necessidade de saúde ou compra de medicamentos em farmácias. Um decreto do dia 27 de fevereiro proibiu até o dia 15 de março o funcionamento de bares, restaurantes, clubes, cinema, teatro, museus, feiras (exceto para venda de alimentos), salões de beleza, shoppings, entre outros. Em novo decreto no dia 8 de março, foi liberada a realização de atividades presenciais em escolas e a abertura de academias desde que não haja atividades coletivas.

Diferente da maioria dos estados, em Goiás as medidas de restrição foram tomadas por prefeitos da região metropolitana. Em Goiânia e Aparecida de Goiânia, decretos editados no último domingo (7) prevêem o fechamento do comércio e proibição de atividades não essenciais até o dia 14 de março. Segundo a regra, bares, restaurantes e distribuidoras de bebidas só podem atuar com delivery. Além disso, Os supermercados devem restringir a entrada a uma pessoa por família. É permitida realização de missas e cultos, porém as igrejas só podem ocupar 10% do total de assentos, seguindo distanciamento de dois metros entre as pessoas.

As aulas presenciais na rede pública estão suspensas, já na rede privada podem ocorrer com apenas 30% da capacidade da instituição.

No Pará, fica valendo o toque de recolher de 21h às 5h e estão proibidas aglomerações com mais de 10 pessoas em locais públicos. As compras de supermercado também estão restritas a apenas um membro do grupo familiar, e a venda de bebidas alcoólicas está proibida entre 18h e 6h. Restaurantes e lanchonetes podem funcionar com 50% da capacidade e até 18h, desde que todos estejam sentados. Bares, boates, casas noturnas, academias e cinemas estão proibidos. Praias e balneários também devem permanecer fechados em feriados, sextas-feiras, sábados, domingos e segundas-feiras. Também estão suspensas visitas às unidades prisionais. Já os shoppings poderão funcionar das 11h às 19h, e o comércio de rua das 10h às 17h. As escolas públicas estão com aulas suspensas, diferente das particulares, que podem abrir respeitando os protocolos.