Com inédita venda de ingressos, SPFW apresenta 48 desfiles até domingo

Foi-se o tempo em que era preciso um contato quente para conseguir um espacinho para ver os desfiles da São Paulo Fashion Week, o maior evento de moda nacional. Nesta edição, de número 54, ingressos estão disponíveis para compra do público em geral, no site do evento. Os valores partem de R$ 50 — com acesso a somente o local do evento — e vão até R$ 1.540 reais com acesso a desfiles, open bar e outras benesses. Vale dizer que os pacotes mais caros já estão esgotados.

Para além da mudança operacional, o evento volta com força total após o impacto da Covid-19 — nesta estação, somente cinco desfiles serão digitais, outros 43 se dividem entre o Komplexo Tempo, na Mooca, a Sala São Paulo (onde a Misci deve apresentar sua nova coleção) e mais oHotel Rosewood São Paulo, no complexo da Cidade Matarazzo, (local em que a Ellus celebrará seu cinquentenário).

O pontapé inicial do evento será dado pela marca Patricia Viera, no Iguatemi às 12h de quarta-feira. Na passarela, couro rastreável (com menor impacto ambiental), brilhos e metalizados, numa analogia das festividades que ficaram represadas ao longo da pandemia e agora, com o avanço da vacinação, podem voltar à cena.

Há a ainda a participação de outras marcas que foram alvo de louvação na edição passada, caso da Bold Strap, com peças inspiradas em roupas íntimas com pegada sexy e futurista e Isaac Silva, cuja etiqueta de peças sem gênero estabeleceu uma colaboração com a varejista C&A, recentemente. Antes disso, a estilista já tinha caido no gosto de celebridade como Taís Araújo e Gabi Amarantos.

Para além do vai e vem de modelos, a edição da semana de moda mira num formato festival, já ensaiado por Paulo Borges, seu idealizador, em carnavais passados — antes da pandemia comprometer a realização do evento nos últimos anos. Entre as novidades da programação, haverá aulas gratuitas que vão de metaverso ao incontornável ativismo na moda. Além disso, haverá instalações de arte. São esperadas entre 15 mil e 20 mil pessoas fisicamente nos cinco dias de atividadades.

— Para além da moda, trazemos um processo de educação, inclusão, diversidade, sustentabilidade e de ocupação da cidade de São Paulo que é um histórico do SPFW — afirmou, em vídeo, Borges. — O festival é uma nova forma da semana de moda estar presente.

Já estão escalados para os desfiles rostos conhecidos como os atores Bruno Fagundes e Klebber Toledo – que desfilam pela Soul Básico e a influenciadora e empresária Camila Coutinho que ganhará a passarela da Silverio.

A top Rita Carreira, nome mais potente da moda plus size brasileira, desfilará para a marca de slow fashion Az Marias, fruto da mente criadora de Cíntia Félix, que morou no Morro do Fogueteiro, no Rio. Outra marca de origem marcante é a Meninos Rei, dos irmãos baianos Céu e Junior Rocha, da periferia de Salvador, na Bahia. Eles prometem ocupar o evento com 25 modelos de diferentes origens, celebrando a diversidade.

Desfile tunado

Uma das exibições mais aguardadas da temporada é da Misci, comandada pelo mato-grossense Airon Martin. O conceito da apresentação — que ocorrerá na quinta, na Sala São Paulo — é o universo automotivo. A inspiração vai da paixão do brasileiro em adaptar os carros, o chamado “tunar”, ao poder da gasolina exerce ao balizar humores acerca do governante da vez.

—Teremos uma bolsa que é inspirada num galão de gasolina, um dos maiores termômetros sociopolíticos do país. Me impressiona como a gasolina move a população, desde quando colocaram o adesivo da Dilma nos carros, numa atitude machista, até a redução do preço do combustível pelo presidente Bolsonaro nas proximidades das eleições — diz Airon, que faz uma avaliação do novo formato da semana de moda. — Há essa ideia do HUB, com entrada paga, é algo que mexe com o mercado. Ainda é preciso, porém, maior participação dos orgãos públicos e ajustes no esquema de patrocínio.