Com informações desencontradas em postos, estagiários de Educação não conseguem se vacinar no Rio

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Estagiários de Educação do município reclamaram que foram impedidos de se vacinar no Rio de Janeiro na manhã desta quarta-feira (9), data que marca o início da imunização de funcionários das redes pública e privada com idade entre 18 e 42 anos na capital. Nas redes sociais, os estudantes da área relataram que a aplicação da dose foi negada em vários postos de vacinação da cidade.

Os estagiários afirmam que profissionais da saúde justificaram que estavam acatando ordens superiores. Em resposta a comentários nas redes sociais, o secretário municipal de educação, Renan Ferreirinha, confirmou que os estagiários poderiam se vacinar, bastando que levassem uma declaração emitida pela Secretaria Municipal de Educação (SME) e documento de identificação.

As informações divulgadas até então pela secretaria davam conta de que todos os funcionários de 18 a 42 anos da Educação Básica — o que inclui educação infantil, creche, pré-escola e ensinos fundamental e médio — das redes pública e privada estariam aptos a receber a vacina, desde que munidos da documentação necessária.

Após a confusão, já no final desta manhã, a SME publicou em seus perfis que "apenas os estagiários que trabalham na Educação Especial, nas unidades da Rede Municipal de Educação, estão autorizados pelos postos de vacinação a receber a vacina" nesta quarta-feira. A pasta reforçou que os estudantes devem levar declaração emitida pela SME comprovando o vínculo.

Questionada sobre a reclamação dos estagiários, a SME reforçou que, no momento, entre estão contemplados apenas os que trabalham com crianças especiais. Em nota, disse ainda que "é necessário apresentar contracheque e algum documento de contrato de trabalho como comprovação". A pasta não justificou as informações desencontradas. Procurada, a secretaria municipal de saúde não respondeu até esta publicação.

A estagiária Milene dos Santos, de 21 anos, que trabalha na educação especial, se dirigiu a dois pontos de vacinação no bairro Gardênia Azul, na Zona Oeste do Rio, nesta manhã. Em ambos, lhe negaram a aplicação do imunizante.

— Eles me disseram que haviam acabado de mandar uma notificação para as unidades proibindo a vacinação para os estagiários. Levei os documentos necessários e, mesmo assim, recusaram. Não tinha nada na internet que falasse disso até então — disse Milene.

Já a estagiária Natalia Camilo, de 28 anos, aluna da licenciatura em Ciências Biológicas, na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), conseguiu se vacinar após a intervenção da diretora da unidade em que trabalha. Ela é estagiária de mediação na educação especial em um Espaço de Desenvolvimento Infantil em Guaratiba, na zona oeste do Rio.

— Resido em Pedra de Guaratiba e fui ao local de vacinação, que é ao lado do posto de saúde. Os profissionais que estavam lá disseram que estagiários não podiam vacinar. Eu estava com a declaração da direção, mas não quiseram nem ouvir que eu era da educação especial apenas. Leram "estagiário" e me mandaram embora — afirmou.

Orientada por sua diretora, Natalia procurou uma Clínica da Família próxima à escola. Sua chefe entrou em contato com a unidade de saúde e, enfim, ela conseguiu ser vacinada. No local, outra estagiária enfrentava o mesmo problema.

Outro estagiário que pediu para não ser identificado relatou que foi a uma clínica na Ilha do Governador, na Zona Norte do Rio, por volta das 8h30, e teve a aplicação negada pelos funcionários. A justificativa foi que receberam ordens superiores.

— Chegando no posto contaram que os estagiários não não poderiam por ordem superior. A clínica falou que não, que não interessava. Tentei mostrar prints do próprio secretário, mas disseram que tinham que seguir o cronograma certinho — disse.

O secretário municipal de Educação, Renan Ferreirinha, anunciou na última quarta-feira (2) que todos os profissionais de Educação poderão se vacinar contra a Covid-19 nos dias 9 e 16 de junho. A medida foi tomada em reunião com o prefeito Eduardo Paes e o secretário municipal de Saúde do Rio, Daniel Soranz. Poderão se imunizar professores, merendeiras e todas as pessoas que trabalham na área de Educação.

Para a imunização, segundo comunicado emitido pela pasta, basta levar o último contracheque ou declaração da instituição ou rede ensino que comprove a condição. Até esta semana, já foram vacinados os profissionais com 43 anos ou mais. Nos dias 9 e 16 de junho, será a vez dos trabalhadores da Educação com idades entre 18 e 42 anos. A repescagem está prevista para o próximo dia 23.

Calendário da Educação

O calendário de vacinação para trabalhadores da educação foi retomado na segunda-feira, dia 31, junto ao cronograma por idade, mas seguem um planejamento diferente. Até então, a partir dos 45 anos, eram destinados dois dias para cada idade. Agora, esses profissionais, de 18 a 42 anos, têm três datas, sendo uma delas de repescagem.

Hoje, quarta-feira, dia 9 de junho, serão imunizados aqueles que atuam na Educação Básica (creche, pré-escola, ensino fundamental e ensino médio).Na quarta seguinte, dia 16, receberão a vacina os trabalhadores de instituições de ensino superior, profissionalizante e outros trabalhadores da educação.No dia 23 de junho, será realizada a repescagem para esse grupo.

Para receber a primeira dose, os trabalhadores precisam apresentar um contracheque, ou declaração das instituições educacionais ou redes de ensino público ou privado da cidade do Rio