Com juros da dívida, rombo nas contas públicas vai a R$ 939 bilhões no ano

Manoel Ventura
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BRASÍLIA — Em meio à crise da pandemia de Covid-19, o rombo nominal nas contas públicas — quando o pagamento de juros da dívida é incluído — atingiu 939 bilhões neste ano, entre os meses de janeiro e novembro. Os dados foram divulgados nesta quarta-feira pelo Banco Central.

No período, o resultado primário (que não considera os encargos da dívida) foi negativo em R$ 651, o equivalente a 9,58% do Produto Interno Bruto (PIB).

Os dados referem-se ao setor público consolidado, envolvendo governo central (formado por Previdência e Tesouro, além do próprio BC), estados, municípios e estatais. Ficam fora da conta Petrobras, Eletrobras e bancos públicos, como Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal.

O resultado primário indica a capacidade do governo de pagar as contas, exceto os encargos da dívida pública. Se as receitas são maiores que as despesas, há superávit. Caso as despesas ultrapassem as receitas, há déficit. O resultado nominal considera também os juros da dívida no cálculo. Neste ano, o governo tem pago uma média de 7,3% em juros, de acordo com o BC.

Desde o início da pandemia, o governo tem gastado mais, com medidas de combate à crise na economia e na saúde. E também arrecadado menos em razão da queda da atividade e das medidas de restrição, o que também contribui para o aumento no rombo das contas públicas.

Como a despesa é maior que as receitas, o governo lança títulos da dívida no mercado, para cobrir essa conta, e paga juros sobre essa dívida. Com o rombo maior, a dívida também cresce.

A dívida bruta do governo atingiu no mês passado o equivalente a 88,1% do PIB. No ano, o aumento na relação dívida/PIB, até agora, foi de 13,8 pontos percentuais. Isso é resultado das emissões de dívida para cobrir o déficit, da incorporação de juros nominais e da alta do dólar.