Com Lula no páreo eleitoral, Doria e aliados admitem reeleição como plano B

Gustavo Schimitt
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SÃO PAULO - A provável entrada do ex-presidente Lula na corrida eleitoral de 2022, após ter suas condenações na Lava-Jato anuladas, pode prejudicar os planos do governador de São Paulo, João Doria (PSDB), e forçá-lo a disputar a reeleição estadual. Tucanos ouvidos pelo GLOBO reconhecem que esse caminho é uma alternativa para Doria. Eles afirmam, porém, que ainda é cedo para dizer que o governador tenha desistido de concorrer ao Palácio do Planalto no ano que vem, plano até agora prioritário para o paulista.

Ao jornal “O Estado de S. Paulo”, Doria reconheceu que “diante deste novo quadro da política brasileira, nada deve ser descartado”. Ele respondeu dessa forma ao ser questionado sobre a possibilidade de encarar a disputa por mais quatro anos à frente do Palácio dos Bandeirantes.

Apesar de deixar a porta aberta para essa solução local, correligionários de Doria lembram que, ainda que decida participar da campanha pela reeleição, o nome do governador não é unanimidade entre os tucanos. Há resistências a seu nome, embora o estatuto do PSDB determine que o ocupante da cadeira de governador tenha a prioridade de disputar uma eventual reeleição.

No partido, há outros nomes que pleiteiam uma vaga na eleição estadual, como o ex-governador Geraldo Alckmin, que conta com o apoio de vários políticos do interior do estado. Alckmin e Doria, antigos aliados, se distanciaram durante a campanha de 2018.

Candidato único

Em relação à disputa presidencial, dirigentes tucanos analisam que uma candidatura de centro depende de alianças entre os partidos que compõem esse espectro político e o lançamento de um nome que aglutine diversas forças. Esse entendimento se tornou mais sólido após Lula voltar a aparecer como um candidato elegível na disputa de 2022 e diante do cenário possível de uma eleição polarizada entre o petista e o presidente Jair Bolsonaro. A defesa dessa composição tem sido feita por tucanos como o senador Tasso Jereissati e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Em entrevista recente ao jornal “Valor Econômico”, Jereissati disse que o ideal seria um candidato único de centro e defendeu uma conversa entre os governadores João Doria e Eduardo Leite (PSDB-RS) e os ex-ministros Luiz Henrique Mandetta (DEM) e Ciro Gomes (PDT). Caso Doria se mantenha disposto a encarar a eleição presidencial, ele ainda terá pela frente a possibilidade de disputar prévias contra Leite, que já se apresenta como um nome alternativo do PSDB na corrida pelo Planalto.

O ex-senador Aloysio Nunes minimiza o risco da polarização para os tucanos, mas reconhece o potencial de eventual candidatura de Lula.

— Obviamente que o Lula é um candidato fortíssimo. Acho que os partidos devem apresentar suas candidaturas em nome do país, sem receio de enfrentar os grandões. Isso para mim não é um drama. A polarização não me espanta. Os partidos chamados de centro devem aprimorar o seu programa, seu discurso. Nós, do PSDB, devemos aprimorar as prévias. A união ocorre num eventual segundo turno — afirmou Nunes.

Em declarações recentes, Doria tem dito que, com a chegada de Lula, o centro “precisa ter juízo”. Num vídeo divulgado na última quinta-feira, quando anunciou a adoção de medidas mais duras para combater o avanço da Covid-19 em São Paulo, o governador reconheceu que suas decisões em defesa da saúde da população podem custar sua popularidade.

Procurado pela reportagem, o governador não quis dar entrevista.