Com mais aliados de Castro do que petistas e sem Freixo, Ceciliano lança candidatura ao Senado pelo PT

O presidente da Assembleia Legislativa do Rio, André Ceciliano (PT), lançou a sua pré-candidatura ao Senado em evento realizado neste sábado em São João de Meriti, na Baixada Fluminense. Cercado por aliados do governador do Rio, Cláudio Castro (PL), enquanto é da chapa que tem Marcelo Freixo (PSB) como candidato ao governo, o presidente da Alerj falou em "união pró-Rio" e reiterou que é o único nome ao Senado apoiado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Freixo, que não participou do evento, mas enviou um vídeo, sequer foi citado por Ceciliano em seu discurso.

No entorno da casa de shows escolhida para o evento era possível ver mais de 30 ônibus com caravanas vindas de todas as regiões do estado. Os nomes dos responsáveis por levar alguns milhares de pessoas para o local eram facilmente identificados através de bandeiras e faixas. Apoiadores de Castro como o deputado Márcio Canella e o prefeito de Belford Roxo, Waguinho dos Santos, o Waguinho, ambos do União Brasil, podiam ser identificados através de seus eleitores e fizeram questão de comparecer. Ex-secretários de Castro, como Max Lemos (Pros) e Thiago Pampolha (PDT), também marcaram presença e mandaram faixas nas quais declaravam apoio a Ceciliano, embora seus partidos não estejam na coligação. O ex-governador Luiz Fernando Pezão (MDB) apareceu no palco onde os convidados discursavam.

O pré-candidato aproveitou a oportunidade para fazer um discurso calçado na "união de forças em prol do Rio". Figuras icônicas da esquerda como Benedita da Silva e Jandira Feghalli também estiveram no local, assim como o ex-vice-presidente nacional do PT, Washington Quaquá. O ex-presidente Lula, que não foi ao lançamento da pré-candidatura, mandou um vídeo que gerou constrangimento nos membros do União Brasil.

— O André pode ser a grande solução para o Rio de Janeiro vencer a violência e voltar a ser o símbolo do Brasil. Não posso pedir votos, mas fica aqui o meu depoimento — disse, antes de um jingle ser executado como os versos "É Lula lá/André aqui".

Com o microfone em mãos, Ceciliano mencionou o ex-presidente uma vez:

— Temos seguidores de muitas correntes aqui, precisamos unificar o Rio de Janeiro. Quando muitos saíram do PT, eu me mantive fiel aos ex-presidentes Lula e Dilma.

Se o nome dos petistas gerou embaraços aos aliados de Castro, o mesmo não pode ser dito de Marcelo Freixo, que sequer foi citado por Ceciliano. Próximo do governador, o presidente da Alerj é alvo de resistências em setores da esquerda.

— O Castro-Lula está vivo — comentou uma mulher com uma blusa com adesivos do deputado Marcio Canella e de Ceciliano. Era uma referência a uma possível “dobradinha”, driblando as coligações formais, que políticos fluminenses resistentes a Freixo e ao presidente Jair Bolsonaro (PL) tentar articular.

Outra figura influente nos bastidores na campanha de Castro também chamava a atenção pela presenca: o ex-secretário municipal Rodrigo Bethlem, que já foi aliado do prefeito Eduardo Paes (PSD), estrategista do ex-prefeito Marcelo Crivella (Republicanos) e atuava como consultor de Cláudio Castro. Recentemente, Bethlem passou a assessorar as mídias socias de Ceciliano e chegou a indicar nomes para a equipe de pré-campanha. Antes de o evento começar, ele gravou um vídeo dizendo que Ceciliano “merece todo apoio e prestígio do cidadão fluminense”.

Na última semana, Ceciliano disse ter a promessa de Lula de que o PT vai retirar o apoio formal à candidatura de Freixo, caso Alessandro Molon (PSB) lance a sua candidatura ao Congresso, rompendo o acordo anteriormente firmado entre os partidos.

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