Com mais refeições em casa, alimentos da cesta básica sobem quase 2%; preço da batata salta 13,7%

Karen Garcia
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Cesta básica sofre aumento com a greve com coronavírus

RIO - Com o avanço do coronavírus no país e o crescimento das refeições em casa, os preços dos alimentos da cesta básica estão mais caros. Levantamento feito pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre-FGV) aponta aumento médio de 1,8% entre os principais produtos no período de 23 de março e 22 de abril.

Entre 8 de fevereiro e 7 de março, antes das recomedações de isolamento social, o avanço dos produtos da cesta básica havia sido de apenas 0,06%, segundo a coleta do Ibre.

Em abril, a inflação para alimentos e bebidas medida pelo IPCA-15 (que vai de 17 de março a 14 de abril) foi de 2,46%. A inflação geral, que considera habitação, energia e outros, foi de 0,94%, segundo o IBGE. O dado fechado de abril ainda não está disponível.

O feijão carioca foi um dos itens que mais tiveram alta de preço entre o fim de março e fim de abril, segundo a FGV: ficou 8,6% mais caro. Já a batata inglesa registrou aumento de 13,68%. Itens como leite (7,55%), ovos (6,57%) e arroz (2,77%) também tiveram forte reajuste.

Com o isolamento social, a procura por produtos nos supermercados aumenta, de acordo com o coordenador do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) do FGV IBRE, André Braz. Daí a alta nos preços.

"As famílias passaram a fazer todas as refeições em casa - café, almoço e janta. E pedir comida em restaurante custa mais caro. Então, a melhor opção é comprar no mercado, mesmo que se pague um pouco mais nesse momento", explicou Braz.

Além do crescimento da alimentação domiciliar, o especialista explica que a alta do dólar e efeitos sazonais do cultivo dos produtos também ajudaram a elevar o preço desses itens.

"Tivemos uma safra de feijão menos expressiva. Por isso os preços avançaram tanto. Já os ovos, que já haviam subido 7,21%, continuaram subindo 6,57%, pois há um aumento do consumo desse item no período da quaresma. A desvalorização cambial também colaborou, pois atua sobre o preço das commodities. Se o trigo fica mais caro, por exemplo, aumenta o preço dos derivados como o pão francês", analisou.

Se por um lado o preço dos alimentos avança, a conta de gás ficará mais barata em maio. De acordo com a Naturgy, o percentual de redução vai variar entre 2,5% e 3,6% nas residências e até 5,4% em estabelecimentos comerciais.

No próximo mês, a conta de luz também terá bandeira verde, não havendo cobrança extra na tarifa de energia dos consumidores brasileiros.

Com a chegada do outono e inverno, a perspectiva é que os preços dos alimentos de hortifruti caia, segundo André Braz.

- Com o clima mais favorável à cultura de frutas e hortaliças, sem sol intenso e chuvas muito fortes. A oferta desses produtos aumenta e o preço cai.