Com mais de três milhões de seguidores, Padre Patrick conta que usou a internet para vencer depressão

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‘Minha filha, eu não sou virgem, meu signo é áries”, soltou Padre Patrick Fernandes, de 34 anos, outro dia, no Instagram. Fenômeno na internet, em pouquíssimo tempo ele acumulou mais de três milhões de seguidores na rede social, entre eles fãs ilustres como a ex-BBB Juliette e o humorista Rafael Portugal. Toda segunda-feira, o religioso abre uma caixinha de perguntas nos stories e aconselha os internautas de maneira leve e bem-humorada. Capixaba de nascimento e paraense de coração, o sacerdote mudou-se aos 8 anos de idade com a família para o estado do Norte do país, onde hoje é pároco na Igreja de São Sebastião, na cidade de Parauapebas. Na entrevista a seguir, ele fala do sucesso meteórico, das motivações para ingressar no seminário e de como lida com a vida sob os holofotes, que inclui cantadas e fofoca.

Como surgiu sua vocação religiosa?

Ser padre não era um sonho de infância, porque eu não venho de uma família religiosa. Quando eu tinha 18 anos, fazia um estágio no Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) e tinha um amigo que era envolvido com a Igreja. Ele me chamou para participar de um retiro, o Segue-me. Esse encontro de três dias foi um divisor de águas. Na semana seguinte, fui procurar o padre da paróquia e ele me indicou para fazer encontros vocacionais.

E quando veio a ideia de ser um influenciador digital?

Não me considero um digital influencer. O que priorizo na vida é meu ministério presbiteral. Isso de ser mais presente nas redes sociais surgiu depois de uma depressão, que começou em 2019. Demorei a procurar ajuda, pois custei a reconhecer a doença, já num estágio avançado. Eu estava sem dormir e me alimentar corretamente. Com o tratamento, percebi que o sentido da minha vida é ser útil para as pessoas, por isso sou padre. E com a pandemia, fiquei cinco meses sem missa com o povo. Com isso, fui para o Instagram no anseio de ficar mais próximo das pessoas. Mas nunca imaginei que ia tomar essa proporção toda.

Suas missas são engraçadas como seus posts no Instagram? Como é a homilia?

Não sou muito engraçado, não. Busco ser reflexivo nas minhas homilias. Quero que as pessoas saiam da missa com uma mensagem. Mas segunda-feira é o dia do lixo. Na folga, respondo as perguntas dos seguidores e faço minhas brincadeiras.

Como a Igreja encara essa sua movimentação nas redes?

Meu bispo (Dom Vital Corbellini) é um paizão. Ele só fica preocupado com a exposição, que tem seus malefícios, como o discurso de ódio. E os outros padres me apoiam. Eles também fazem, cada um do seu jeito, esse trabalho nas redes sociais.

O senhor tem um posicionamento de combate à homofobia e ao machismo. Como vê as pessoas que discriminam o outro usando o nome de Jesus?

Muitos cristãos desfiguram a mensagem do Evangelho. Deus mandou amar sem distinção. Com isso, o discurso de ódio e o preconceito não têm espaço. Se alguém dos grupos discriminados me procura, vou ver um ser humano, acima de qualquer coisa. Uso minha voz para combater o machismo porque a gente precisa urgentemente conter essa mentalidade no país que dá muitos direitos aos homens e nenhum às mulheres. Existem pessoas que julgam e só sabem semear ódio. Não é por mim em particular, mas por qualquer pessoa que não se enquadre naquilo que elas pensam. A missão dessa gente é falar mal e causar danos.

Em resposta a seguidores, o senhor disse que aceitaria participar do “BBB’’. Como seria vê-lo no reality?

Acho que eu não teria muita relevância no programa, sairia logo. O povo gosta de quem se impõe, de quem briga. Sou de posições mais conciliadoras. Ir para o embate toda hora seria um inferno na minha vida.

Com o sucesso on-line, recebe cantadas de mulheres e de homens ? Como reage?

Finjo demência. Esse é um processo normal, simples para mim. O fato de eu ser padre, sempre atencioso e disponível para a escuta, leva as pessoas a projetarem em mim uma figura de marido ideal. Agora, quando é de maneira pessoal e recorrente, deixo as coisas bem claras e digo o que pretendo viver.

Existe algum pecado mais difícil para o senhor encarar?

Fofoca! Eu não suporto. Mas, infelizmente, aprendi a conviver com pessoas fofoqueiras. Acho que fofoca só destrói a história das pessoas e mina os relacionamentos.

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