Com mais um atraso, Hospital de Campanha de Caxias tem goteiras e até mofo

Diego Amorim
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RI Rio de Janeiro (RJ) 01/06/2020 - Hospital de Campanha em Duque de Caxias ainda em obras. Foto Fabiano Rocha / Agência O Globo

RIO - Após mais um atraso e ver a inauguração prevista para esta segunda-feira ser adiada, o Hospital de Campanha de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, não tem leitos montados, equipamentos ou piso adequado. Em vários trechos, há buracos no teto e goteiras, inclusive em cima de sala de leitos. Esse cenário foi flagrado pelo deputado estadual Renan Ferreirinha (PSB), que visitou a unidade nesta segunda-feira. Parte do teto da lona principal aparece mofada.

— As goteiras dentro da unidade chamam muita atenção. Tem goteira no teto do CTI. Como pode ter goteira dentro de um hospital que iria inaugurar hoje (segunda-feira)? Esse local está longe de ser um hospital. Salas de UTI e enfermaria estão sem leitos e equipamentos, o piso está imundo e a iluminação é péssima — avalia o parlamentar.

Nas imagens, é possível ver o local onde ficará o refeitório sujo e com muitas goteiras. Segundo Ferreirinha, o responsável pela visita afirmou que a diferença de temperatura de dia e de noite no município faz com que a lona que cobre as tendas fique com água condensada. O deputado aponta que a situação na unidade de Duque de Caxias é "precária e completamente atrasada", sem perspectiva de entrega.

Em algumas salas, há armários amontoados, sem organização. O deputado destaca que não encontrou salas de descanso e nem de acolhimento às famílias, duas estruturas existentes nos outros hospitais de campanha, nem responsáveis médicos. Do lado de fora, nossa equipe presenciou, nesta segunda-feira, máquinas e caminhões trabalhando. O local parecia uum verdadeiro canteiro de obras. Havia materiais e equipamentos ainda sendo entregues durante a manhã.

É o terceiro hospital de campanha em obra a receber a visita do parlamentar, que tem fiscalizado as contas e os gastos do governo Witzel. No últimos dias, Ferreirinha também visitou as obras dos hospitais de São Gonçalo, na Região Metropolitana, e de Nova Iguaçu, na Baixada. Essas unidades estão sendo construídas pelo Iabas.

— O governo, mais uma vez, prometeu e não cumpriu, enganou a população. As obras do hospital estão muito atrasadas — destaca ele.

O Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ) deu, na última segunda-feira (27), um prazo de cinco dias para que o governo estadual se manifeste sobre contratações na área de Saúde que podem ter causado um prejuízo de até R$ 70 milhões aos cofres públicos.

Em nota, o Iabas informa que apresentará ao TCE-RJ os valores dos contratos executados. Até as 16h, essa apresentação ainda não havia sido feita. A OS destaca ainda que o valor do contrato é uma previsão do que pode ser gasto "a depender do nível de investimento necessário para a gestão", durante seis meses, e que ele "não é necessariamente o valor desembolsado pela administração pública".