Com Martinho da Vila, Rio tem África ancestral e futurista em segunda noite na Sapucaí

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RIO DE JANEIRO, RJ, 24.04.2022: CARNAVAL-RIO - Desfile da escola de samba Portela, pelo Grupo Especial, na Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro (RJ). (Foto: Eduardo Anizelli/Folhapress)
RIO DE JANEIRO, RJ, 24.04.2022: CARNAVAL-RIO - Desfile da escola de samba Portela, pelo Grupo Especial, na Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro (RJ). (Foto: Eduardo Anizelli/Folhapress)

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Em um ano marcado por enredos de temática africana, a segunda noite de desfiles das escolas de samba do Grupo Especial do Rio de Janeiro trouxe orixás e cientistas, ancestralidade e África futurista, e uma homenagem ao cantor e compositor Martinho da Vila.

Primeira escola a desfilar, a Paraíso do Tuiuti pôs na avenida Obama, Beyoncé e a drag queen RuPaul protegidos por orixás em um enredo que celebrou grandes personalidades negras da história. Foi o primeiro desfile de temática africana concebido pelo carnavalesco Paulo Barros, famoso pelos recursos cênicos e tecnológicos na Avenida.

Ele trouxe o reino futurista fictício de Wakanda, do filme Pantera Negra, e a agência espacial Nasa em meio à história da ancestralidade africana para contar o protagonismo negro na história da humanidade. A escola terminou o desfile dois minutos atrasada e será penalizada em dois décimos.

Perto do fim do desfile, uma mulher sentiu-se mal e, ao ser retirada por um bombeiro, o carro em que estava chegou a prensá-la contra a grade.

Ela foi socorrida e atendida no posto médico da Sapucaí, com suspeita de fratura em uma das pernas. Levada ao Hospital Souza Aguiar, no Centro do Rio, ela teve alta após a fratura ter sido descartada.

Maior campeã do Carnaval carioca, com 22 títulos, a Portela levou para a Marquês de Sapucaí a potência ancestral do Baobá, árvore considerada sagrada por povos africanos.

Intitulado Igi Osè Baobá, o nome do enredo, assinado por Renato e Márcia Lage, faz referência ao modo como a árvore é chamada no idioma iorubá.

Um dos carros da agremiação enguiçou próximo ao setor e o atraso provocou um buraco na evolução da escola.

Na última alegoria, a Portela homenageou Monarco, morto em dezembro do ano passado. Ele, que era líder da Velha Guarda da escola, apareceu em um busto azul no topo do carro.

Terceira escola a desfilar no Rio esta noite, a Mocidade de Padre Miguel propôs um mergulho na religiosidade ancestral africana. A escola celebra orixás da cosmogonia iorubá e narra as peripécias de Oxóssi, o rei das matas, que no Rio de Janeiro é sincretizado com São Sebastião, padroeiro da cidade e também da agremiação.

A rainha de bateria Giovanna Angélica veio com os cabelos raspados em respeito ao orixá, como todos os integrantes da bateria. Foi o primeiro do carnavalesco Fábio Ricardo à frente da escola da zona oeste carioca, quatro vezes campeão do Grupo Especial do Rio.

Para tentar garantir o seu quarto título no grupo especial, a Unidos da Tijuca decidiu contar na Marquês de Sapucaí os mistérios do guaraná e homenagear os povos originários.

O carnavalesco Jack Vasconcelos usou principalmente três cores: amarelo (alusão às energias do reino solar Tupã), azul (em referência às energias sombrias do reino de Yurupari) e vermelho (cor que representa os sateré-mawé, etnia ligada ao guaraná).

Com a atriz Paolla Oliveira vestida como a irreverente Pombagira à frente da bateria, a Grande Rio pôs múltiplos Exus no sambódromo. A entidade iorubá assume muitas faces, de Macunaíma à Bossa Nova, e denuncia o racismo religioso que vincula Exu ao diabo maléfico das narrativas judaico-cristãs.

Com fantasias volumosas e exuberantes, a escola lembrou nomes como o do artista plástico sergipano Arthur Bispo do Rosário, morto em 1989, que dedicou algumas de suas obras a Exu, como capas e coroas.

Como a Mangueira no dia anterior, a Vila Isabel celebrou sua própria história ao homenagear um de seus baluartes, o cantor e compositor Martinho da Vila.Martinho entrou na avenida em um carro que o escondia debaixo da saia de um enorme orixá. Na indumentária, uma porta se abria e revelava o homenageado, para delírio do público.

A escola fechou o desfile já com o sol raiando.

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