Com medo, filho escreve carta a pai policial que busca Lázaro Barbosa

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Policiais realizam novo cerco em busca de Lázaro Barbosa em Goiás - Foto: Reprodução/TV Globo
Policiais realizam novo cerco em busca de Lázaro Barbosa em Goiás - Foto: Reprodução/TV Globo
  • Com medo, filho escreve carta a pai policial que busca Lázaro Barbosa

  • O pai de Rhauã, de 9 anos, tem atuado na operação que tenta prender Lázaro, suspeito de cometer uma chacina no Distrito Federal, fugir para Goiás e realizar uma série de crimes para escapar da polícia

  • “Pai, toma cuidado nessa mata. Apesar de ter o Lázaro, também tem bichos, como cobra, aranha... [...] Todos os dias que o senhor vai trabalhar, fico com medo e tristeza”, diz trecho da carta

O pequeno Rhauã Victor dos Santos Ribeiro, de 9 anos, escreveu uma carta para o pai, policial militar que atua nas buscas de Lázaro Barbosa, o "serial killer de Brasília", relatando seu medo. No texto, o menino disse que fica com medo quando o PM sai para trabalhar. 

“Pai, toma cuidado nessa mata. Apesar de ter o Lázaro, também tem bichos, como cobra, aranha... [...] Todos os dias que o senhor vai trabalhar, fico com medo e tristeza”, diz trecho da carta obtida pelo G1 (leia carta na imagem abaixo).

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O pai de Rhauã tem atuado na operação que tenta prender Lázaro, suspeito de cometer uma chacina no Distrito Federal, fugir para Goiás e realizar uma série de crimes para escapar da polícia. 

Ao G1, Thaynara dos Santos Pereira Ribeiro, mãe do menino e esposa do PM, afirmou que o pai chegou a comentar sobre "como era a mata" e que teria que retornar ao local para seguir com a procura. Por este motivo, Rhauã redigiu a mensagem.

“O pai dele comentou como era a mata, como foi a experiência de ter ido para lá. Ele comentou que haveria a possibilidade de algumas equipes voltarem e ele ir para lá [para ficar fixo]. Foi quando meu filho decidiu escrever a carta e colocar na farda dele”, contou.

Carta foi feita "de coração"

Em outro trecho, o menino diz que a carta foi escrita "de coração", com "medo" e "muita tristeza".

“Tenho medo de acontecer alguma coisa com o senhor. Papai, quero que o senhor tome muito cuidado, o senhor é a raiz que sustenta a família. [...] Nós te amamos muito”, diz a carta.

Em outro trecho, o menino diz que a carta foi escrita
Em outro trecho, o menino diz que a carta foi escrita "de coração", com "medo" e "muita tristeza" (Foto: Thaynara dos Santos/Arquivo Pessoal)

A mãe de Rhauã relatou ao G1 que a preocupação é constante e que isso só passará quando o suspeito foi preso. 

“Infelizmente tem várias famílias, vários policias que estão lá sofrendo com essa saudade, com essa preocupação e medo. Para criança se torna mais difícil ainda”, contou.

Saiba mais sobre o cerco da polícia e por que Lázaro ainda não foi preso:

  • Trajeto de fuga

  • Estratégias de fuga

  • Área onde a polícia faz o cerco

  • Equipamentos da polícia

  • Perfil de Lázaro

  • Cronologia dos crimes

No dia 9 de junho, Lázaro invadiu uma chácara em Ceilândia (DF) e matou quatro pessoas de uma mesma família. Durante sua fuga, invadiu diversas outras residências, fez reféns e baleou quatro pessoas, entre elas um policial. Ele também roubou armas de fogo e um carro, incendiado por ele depois, assim como uma das casas que ele invadiu. Ele já foi condenado por homicídio, na Bahia, e também é procurado em Goiás e no DF por roubo, estupro e porte ilegal de arma de fogo.

Trajeto de fuga

Após cometer a chacina em Ceilândia, Lázaro fugiu para Cocalzinho de Goiás. Inicialmente, ele invadiu fazendas e chácaras no povoado de Edilândia, que faz parte de Cocalzinho. Depois, fez o caminho inverso e foi para outro povoado na cidade, Girassol, que fica mais próximo do Distrito Federal. As últimas vezes que Lázaro foi visto, na semana passada, foram em chácaras em Girassol.

Estratégias de fuga

De acordo com a polícia, Lázaro costuma se locomover de noite. Ele se esconde na mata e em grotas e utiliza rios para fugir. No passado, conseguiu fugir da polícia durante 15 dias na Bahia, também em uma região de mata. Ele também tem o costume levar suas vítimas para beira de rios e córregos, como reféns. Ainda faz parte do modus operandi do criminoso sair da mata durante a noite para buscar abrigo e comida em chácaras da região. Foi em momentos como esse que ele teria entrado em conflito com moradores da região.

Área onde a polícia faz o cerco

Polícia fez um cerco entre 10 a 15 quilômetros ao redor de Girassol. Polícia Rodoviária Federal revista carros que passam pela BR-070. As dificuldades quanto as buscas estariam por se tratar de uma região de mata e com relevo acidentado, com muitas grotas.

Equipamentos da polícia

Policiais contam com três helicópteros, drones, cães farejadores e equipamentos de visão noturna e térmica, além de três helicópteros e profissionais de inteligência.

Perfil de Lázaro

De acordo com especialistas, Lázaro tem personalidade cruel e perversa, com comportamentos psicopáticos e desorganizados. Ele seria um assassino em série em formação, não tendo encontrado, ainda, o modus operandi que mais lhe agrade.

De acordo com o perfil psicológico de Lázaro Barbosa, o uso de instrumentos perfurocortantes em conjunto com a arma de fogo pode demonstrar inexperiência e dificuldade em consumar os homicídios com o uso de apenas um instrumento, sendo necessário finalizar o ato com um tiro.

Cronologia dos crimes

Ele seria um assassino em série em formação, não tendo encontrado, ainda, o modus operandi que mais lhe agrade (Foto: Reprodução)
Ele seria um assassino em série em formação, não tendo encontrado, ainda, o modus operandi que mais lhe agrade (Foto: Reprodução)

Quarta-Feira, dia 9 de junho: 

Lazáro invade a chácara de Cláudio Vidal e mata ele e seus filhos, em uma ação que dura cerca de 10 minutos. No momento da fuga, faz Cleonice Marques, de 43 anos, mulher de Cláudio, refém e a sequestra. Logo após a entrada do bandido na casa, ela teria feito uma ligação para seu irmão pedindo por socorro. Sua família chega momentos depois, mas encontra apenas os corpos de Cláudio e seus filhos.

Quinta-feira, dia 10 de junho:

Na parte da manhã, Lazáro Barbosa teria invadido outra residência apenas três quilômetros de distância da chácara da família de Cláudio e Cleonice. Ele teria mantido a dona da casa, Sílvia Campos, de 40 anos, e o caseiro, Anderson, de 18, sob a mira de sua arma durante três horas e os obrigado a fumar maconha. Ele teria roubado cerca de R$ 200 e celulares antes de deixar a residência. Cleonice continua desaparecida.

Sexta-feira, dia 11 de junho: 

Lazáro é suspeito de roubar um carro e fazer mais um refém. Ele teria deixado Ceilândia e ido para Cocalzinho, em Goiás. Lá, incendeia o veículo. A polícia acredita que ele pode ter contado com a ajuda de um comparsa nesse momento. As buscas por Cleonice continuam.

Sábado, dia 12 de junho: 

O corpo de Cleonice é encontrado em um córrego próximo ao Sol Nascente. Enquanto isso, Lázaro teria invadido uma residência nos arredores de Lagoa Samuel, onde teria ingerido bebidas alcoólicas, feito o caseiro refém e destruído o seu carro. Horas depois, ele teria invadido outra chácara, atirado em três homens e roubado armas de fogo. À noite, teria incendiado uma casa em Cocalzinho. Alguns relatos afirmam que ele teria trocado tiros com a polícia, informação que não foi confirmada pelo secretário de Segurança Pública de Goiás. Os três homens baleados foram levados a um hospital. Dois encontram-se em estado grave.

Domingo, dia 13 de junho: 

Lazáro invade uma casa por volta das 15h. A residência estaria vazia naquele momento. O criminoso teria roubado um carro Corsa vermelho. Aproximadamente às 18h30, o veículo teria sido abandonado em uma rodovia, a 30 quilômetros da residência invadida mais cedo. Acredita-se que Lázaro tenha avistado um bloqueio policial e decidiu fugir para o mato. Dentro do carro, a polícia encontrou um carregador de munição. De acordo com a Polícia Militar de Goiás, o suspeito teria chegado a trocar tiros com a polícia antes de fugir para um matagal.

Segunda-feira, dia 14 de junho: 

Lázaro troca tiros com um fazendeiro na região de Edilândia. Policiais civis e militares fecham o cerco, mas não efetuam a prisão do suspeito. Foi levantada a hipótese de o autor da chacina ter ficado ferido.

Terça-feira, dia 15 de junho: 

Uma família é feita refém por Lázaro na zona rural de Edilândia. Segundo Rodney Miranda, secretário de Segurança Pública de Goiás, ele utilizou o mesmo modus operandi e levou o casal dono da propriedade e a filha adolescente deles para a beira de um rio. A menina conseguiu, porém, mandar uma mensagem para o celular de um policial que visitou a casa das vítimas no dia anterior. As equipes foram até o local e houve confronto com o criminoso. Os reféns foram salvos, mas um policial acabou sendo baleado de raspão. Ele recebeu atendimento e passa bem. Lázaro conseguiu fugir.

Quarta-feira, dia 16 de junho: 

Lázaro Barbosa foi visto por um morador em uma área rural. De acordo com Rodney Miranda, secretário de Segurança Pública de Goiás, os policiais foram alertados sobre a presença do serial killer e fecharam o perímetro de buscas em torno do local onde ele foi visto. Miranda também afirmou que Lázaro havia passado a noite anterior em uma casa que estava abandonada.

Quinta-feira, dia 17 de junho: 

No 9º dia de buscas pelo serial killer Lázaro Barbosa de Sousa, o secretário de Segurança de Goiás, Rodney Miranda, afirmou que Lázaro está "desgastado" e tem cometido "erros". Miranda também anunciou que o ministro da Justiça e Segurança Pública, Anderson Torres, ofereceu 20 agentes da Força Nacional para ajudar nas buscas pelo assassino. Houve um novo confronto com policiais. Segundo os agentes que participaram da ação, Lázaro tentou atirar em um cão farejador, mas não acertou. O animal não se feriu.

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