Com mercado de capitais negativo, XP aposta em novos negócios para continuar crescendo

SÃO PAULO - Com o cenário de juro alto e eleições presidenciais este ano trazendo impacto negativo para o mercado de capitais, além da guerra na Ucrânia, a XP apostou em novos negócios para manter crescimento de sua receita neste primeiro trimestre.

Os cartões de crédito XP, por exemplo, geraram R$ 4,5 bilhões em volume de transações no primeiro trimestre, nove vezes superior em relação ao mesmo período do ano passado. O número de cartões de crédito ativos ultrapassou 308 mil no primeiro trimestre, crescimento anual de 316%.

- O mercado de capitais sofreu muito globalmente e aqui também. Mas este impacto está sendo compensado por novos negócios. A receita gerada por crédito, cartões, seguros e previdência, por exemplo, teve crescimento anual de 205% - disse Bruno Constantino, sócio e diretor financeiro da XP Inc., durante apresentação dos resultados da empresa no primeiro trimestre.

O sócio da XP disse que a participação da empresa no setor de seguros, por exemplo, equivale hoje a 0,1% do mercado. E portanto, há muito espaço para crescer. A carteira de crédito também teve crescimento expressivo: atingiu R$ 11,5 bilhões no fim de março deste ano, uma expansão de 142% na comparação ano contra ano.

Constantino afirmou que a empresa tem resiliência para se adaptar a diferentes cenários econômicos, e inclusive já viveu várias crises em sua história, e continua navegando bem. Ele afirmou que apesar do desempenho negativo do mercado de capitais neste primeiro trimestre do ano, março já sinaliza uma melhora.

- Não é o cenário macro que vai mudar nossa estratégia. Mas é óbvio que a gente se adapta ao cenário - disse Constantino, lembrando que na plataforma de investimento do varejo bateu recorde de volume de aplicações em renda fixa impulsionada pela alta dos juros.

Lojas conceito

Sobre a abertura de sua primeira "loja conceito" em Manaus, Constantino afirmou que trata-se de uma aposta da empresa para proporcionar "uma experiência diferente e ouvir o cliente". Ele disse que a XP não depende desse modelo de lojas físicas para crescer. O número de agentes autônomos, modelo que a XP utiliza para atendimento de sua base de clientes, já chega a quase 11 mil. E o número de funcionários da XP saltou de 6,1 mil no final de 2021 para 6,3 mil em março - o que sinaliza que a empresa continua contratando, disse o diretor financeiro.

Constantino afirmou que a compra pelo Itaú Unibanco de uma participação de 11,45 na XP por US$ 1,6 bilhão (cerca de R$ 8 bilhões) já estava prevista desde 2017. A compra faz parte do acordo que levou o Itaú a adquirir uma participação de 46% na XP, naquele ano.

Mas os órgãos reguladores do mercado de capitais impediram o banco de assumir o controle total da corretora no futuro, temendo aumento de concentração no setor financeiro. Diante deste cenário, o Itaú começou a se desfazer de sua participação na XP em 2020.

No trimestre, a XP teve um lucro líquido ajustado de R$ 987 milhões, um avanço de 17% na comparação com o mesmo período do ano anterior. A receita bruta teve crescimento anual de 17%, para mais de R$ 3,2 bilhões.

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