Com nariz de palhaço, servidores municipais protestam em frente ao prédio da prefeitura

Isabela Aleixo
Servidores protestam em frente ao centro administrativo da prefeitura, na Cidade Nova

Funcionários de vários setores do município protestam nesta terça-feira em frente ao prédio da prefeitura, na Cidade Nova. Eles se mobilizam contra a suspensão dos pagamentos da Saúde, cujas organizações sociais (OSs) estavam sem receber repasses desde outubro. Além disso, manifestam-se contra a suspensão do pagamento do 13º salário dos profissionais da Educação.

Aos gritos de “caloteiro”, os servidores reivindicam os pagamentos dos salários em dia. O enfermeiro Glauber Amancio recebeu os pagamentos de outubro e novembro nesta terça-feira, mas resolveu comparecer ao ato em solidariedade aos colegas de prefeitura.

— Só recebemos esses pagamentos porque lutamos muito. Agora, vemos nossos colegas nessa situação também — afirma.

Ele conta que chegou a ficar com o aluguel de sua casa atrasado e com a geladeira vazia, e que só não chegou a contrair dívidas porque a esposa é servidora do Estado.

— Minha mulher é PM, ela segurou as pontas — disse Glauber, que há oito ano como funcionário de uma OS, afirma que esta é a primeira vez que os salários atrasam.

Já a professora Conceição Aparecida, de 61 anos, é servidora do município há 30 e afirma que as dúvidas não são só sobre o pagamento do 13º, mas também sobre as férias e pagamentos futuros, como do mês de janeiro.

— São 30 anos recebendo meu salário limpo, nenhum outro governante fez isso — diz ela, indignada.

O sentimento é o mesmo das professoras Cristine Champeval e Edilma Trajano, que compareceram ao ato para reivindicar o 13º da categoria e em solidariedade aos profissionais da Saúde. Para elas, o 13º já tinha destino certo: pagar dívidas e aluguel.

— É para pagar o aluguel da minha filha que estuda em Foz do Iguaçu — conta Cristine.

Segundo ela, todo ano, neste período ronda a dúvida a respeito do pagamento em dia:

— A gente já trabalha num terror psicológico que eles fazem de “será que vai ter o dinheiro pra pagar?”

O gari Valdemir Olidio é funcionário da Comlurb há 19 anos. A categoria não está com os salários atrasados. Mas ele compareceu ao ato em solidariedade com os demais servidores.

— Eu me coloquei no lugar dessas pessoas que estão sem receber. Imagina como será o Natal delas — questiona. 

A agente comunitária de Saúde Carina Ferreira recebeu os pagamentos de outubro e novembro na semana passada, mas os funcionários da unidade de saúde em que ela trabalha, o CM/S Doutor Albert Sabin, na Rocinha, mantiveram a paralisação até que os benefícios, como vale transporte, também fossem quitados, o que aconteceu hoje. Durante o período em que ficou sem receber, Carina atrasou o pagamento de diversos compromissos.

— Eu tenho dois filhos e pagamos aluguel. Atrasou o aluguel, a creche, o transporte escolar... Não cheguei a fazer empréstimo, mas tive muito gasto com cartão de crédito — conta.