Com nova alta de casos de Covid, procura por vacina e fila em postos de saúde aumentam em SP

"Vacina para Covid? Acabou". A informação é repetida várias vezes em poucos minutos pelo vigia na porta de uma Unidade Básica de Saúde (UBS) na Zona Sul de São Paulo. Depois vem a sugestão de voltar mais tarde ou procurar outros postos nas redondezas, citados com os endereços na ponta da língua. Até poucas semanas atrás a procura não era assim, a ponto de as doses acabarem em uma manhã. Mas a demanda cresceu em velocidade proporcional ao aumento de casos da doença que veio junto a novas subvariantes da ômicron - velha conhecida da última onda que acometeu o país no início do ano.

Em postos de saúde percorridos pelo GLOBO em São Paulo, as filas para vacinação também voltaram. A advogada Isabela Ceccarelli esperou duas horas pela quarta dose em uma UBS na Vila Madalena, na Zona Oeste.

— Depois da terceira dose estava me sentindo bem, segura, e fui deixando a quarta dose para depois. Mas agora resolvi tomar principalmente por conta desse aumento de novos casos — conta ela.

Isabela diz que vários amigos e conhecidos testaram positivo para a doença nos últimos dias, e que isso foi determinante para colocar um fim à "enrolação" pela agulhada de reforço.

— Felizmente não sinto nada, mas não posso deixar de me prevenir. Meu pesadelo é ter Covid de novo. Tive no início do ano — diz Isabela, que aproveitou a visita à UBS para também se vacinar para a influenza, outra imunização que faltava.

Em outra UBS em Perdizes, a espera para tomar a vacina contra a Covid chegou a uma hora no início da tarde desta terça-feira. Médicos e enfermeiros que atuam na unidade disseram que a procura aumentou significativamente nesta semana. Apesar disso, o imunizante não está em falta.

A aposentada Leda Maria, de 65 anos, correu para receber a dose de reforço em atraso após tomar conhecimento da nova onda de casos de Covid.

— Ainda não tinha tomado a quarta dose. Soube de gente que teve reação à vacina. Por preguiça também. É uma mistura de coisas - conta a aposentada, que até hoje tem sequelas como cansaço e falta de ar por conta de uma infecção anterior pelo novo coronavírus. — Agora tá voltando (a Covid), então pensei: "Vou tomar, né". Tenho uma imunidade ruim.

Em outro posto de saúde no Centro da capital paulista, a frase que o assistente administrativo Vinicius Nascimento, de 27 anos, mais tem ouvido nos últimos dois dias é: "Melhor tomar que agora está voltando." Mesmo na UBS de um dos bairros mais movimentados da capital, ele conta que estava acostumado com o ritmo mais lento na busca pela vacinação, desde que a pandemia tinha dado sinais de arrefecer.

Mas, entre ontem e hoje, a busca muito mais do que dobrou, afirma Nascimento, que atua registrando as novas vacinações num sistema da prefeitura. Ele diz que os paulistanos têm buscado colocar a imunização em dia para evitar complicações na nova onda de casos:

— Às vezes a gente ficava 20 minutos sem atender ninguém. Nesses últimos dois dias, é um paciente atrás do outro. Está formando até fila, coisa que não formava há muito tempo.

Apesar da alta na busca pelos imunizantes, a Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo afirma que "a rede está toda abastecida", e que "não há falta de vacinas".

Já a Secretaria de Estado da Saúde informa que monitora diariamente a pandemia e que, até o momento, não há indicação de alta significativa no número de internações por Covid, em razão do aumento de infecções.

A pasta destaca os altos números de vacinação em São Paulo, que conta com 96,2% da população elegível com o esquema vacinal completo. E reforça "a importância da população procurar os postos de vacinação para tomar as doses adicionais, que evitam casos mais graves da doença".

Desde o início da pandemia, o estado de São Paulo já registrou mais de seis milhões de infecções por Covid, e mais de 175 mil óbitos em decorrência da doença.