Com nova onda da covid-19, Bangladesh enfrenta falta de oxigênio

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Pacientes no Hospital Khulna (Bangladesh), 1º de julho de 2021

Na cidade de Khulna, no sudoeste de Bangladesh, epicentro da nova onda de infecções por covid-19, cilindros de oxigênio vazios se acumulam quase tão rapidamente quanto os mortos.

Diante do aumento do número de casos, o governo impôs um confinamento estrito em todo o território durante o fim de semana, tentando impedir a transmissão do vírus, mas em Khulna os hospitais e familiares de vítimas estão sobrecarregados.

Perto do pronto-socorro do hospital, Mohamed Siddik, apoiado em cilindros vazios, liga aos prantos para seus parentes para anunciar a morte de seu irmão de 50 anos.

O empresário de 42 anos levou seu irmão ao hospital quando sua saúde começou a piorar, mas não havia mais leitos disponíveis ou oxigênio, contou à AFP.

"Ele morreu sufocado em um corredor de hospital, em nenhum momento eles administraram oxigênio", disse Siddik.

Localizada perto do estado indiano de Bengala Ocidental, Khulna sofreu um aumento repentino de infecções, causadas pela variante Delta, detectada pela primeira vez na Índia.

Na quinta-feira, a cidade contabilizou 46 mortes, segundo balanço oficial, em comparação com as 10 mortes diárias nas ondas anteriores.

Nesta cidade de 680 mil habitantes, muitos acreditam que o saldo real é muito maior. Os cemitérios em cidades vizinhas como Satkhira não conseguem lidar com o repentino afluxo de mortos.

O hospital público, um dos quatro da cidade, tem 400 leitos, mas a demanda atual supera em muito sua capacidade.

"Estamos sob grande pressão quando se trata de internações", disse Niaz Muhamad, médico-chefe do governo para a região de Khulna, que, no entanto, diz que não há problemas com o suprimento de oxigênio.

- "Situação crítica" -

Mas outra pessoa explicou como seu irmão também morreu sem oxigênio.

"Se tivessem dado apenas um pouco ao meu irmão, ele ainda estaria vivo", lamenta Afroza entre lágrimas, no pátio do hospital.

Desde quinta-feira, a polícia e o exército patrulham as ruas do país de 168 milhões de pessoas para garantir o cumprimento do toque de recolher. Centenas de pessoas são presas diariamente por deixar suas casas.

Em Khulna, as restrições estão em vigor desde o mês passado, quando a taxa de infecção disparou, mas as fábricas na cidade continuam abertas e muitos precisam sair para trabalhar.

Rafikul Islam, um estudante, explica que foi forçado a caminhar sete quilômetros para chegar ao seu emprego de meio período em uma fábrica porque não há serviço de ônibus.

"A maioria das lojas está fechada e o transporte público não funciona, mas diante da gravidade da situação em Khulna, não temos outra opção, devemos continuar trabalhando. A situação é crítica", disse.

Oficialmente, Bangladesh registrou 935.000 infecções e 14.900 mortes desde o início da pandemia, mas para a maioria da população esses números estão subestimados.

Funcionário do cemitério de Khulna, Mohamad Badu garante à AFP que nunca esteve tão ocupado em 32 anos de trabalho.

"O número de enterros é muito maior do que antes", garante.

Para as autoridades de saúde, a nova onda se explica pela recusa da população em usar máscara e respeitar o distanciamento social.

"As pessoas não se preocupam em se isolar e isso ajuda a reforçar a transmissão do vírus", disse Suhas Halder, porta-voz do principal hospital de Khulna.

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