Com o presente na barriga: conheça grávidas que vão à luz às vésperas do Natal

Diana Schneider, Marta Santoro e Melina Chaves estão para receber um presentão embrulhado num lugar bem quentinho e repleto de amor: a barriga delas. A chegada de um filho este mês vai encher a casa de cada uma de luz e de esperança e fazer deste um Natal ainda mais especial. Dezembro, aliás, é cheio de significados para Diana, mãe de Gael, que completa 6 anos no próximo dia 10, e grávida de Mana, que tem a mesma data provável de parto.

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— Tinha medo de parir em dezembro, por me lembrar da morte de meu pai e de uma perda gestacional. Mas meus filhos ressignificaram o mês para mim. Trouxeram esse lugar do amor, do renascer com a vida, do olhar o mundo através dos olhos deles — diz Diana, que mora em Santa Teresa.

Enfermeira obstétrica, ela acredita que “nada é por acaso”.

— No creo en las brujas, pero que las hay, las hay — diverte- se Diana. — Todo parto é um evento natalino. Para mim, todo bebê que nasce é um pedacinho de Deus na Terra. É como se saísse da barriga e chegasse em forma de criança. O Natal remete um pouco a isso. Cada nascimento é um movimento de esperança a partir daquela criança única, fresquinha, que saiu do todo para chegar aqui.

Para receber Mana, ela montou uma árvore de Natal toda especial este ano, com desejos de bênçãos para o puerpério. Por ali, é possível enxergar pedidos de mimos como massagens, terapia de casal e entregas do iFood por uma semana.

— É um supercarinho que faz toda a diferença. O parto é uma passagem, um renascimento para aquela mulher, para aquela família, para o bebê que está chegando. Muita gente não faz ideia do que é o puerpério para uma mulher que está se repartindo com o mundo a partir de uma criança; precisamos de rede de apoio. Eu ajudo a criar redes para mães há muitos anos, num projeto chamado Roda das Sementeiras.

Diana é enfermeira obstétrica por pura vocação. Ela conta que sonhava com gestantes e desde criança achava linda a figura da grávida. Aos 15, quando morava com uma tia-avó no interior da Bahia, acompanhou os primeiros partos num hospital local e se apaixonou: encarou sete anos de formação e, hoje, tem mais de 1.200 partos realizados. Ela alerta para um fenômeno que costuma ocorrer em dezembro:

— Acontece muito de médicos agendarem cesárea por conveniência, para ficarem livres no Natal e ano novo. Mas quando você tira um bebê que não está pronto ainda, ele acaba indo para a UTI. É importante ficar atento para não prejudicar esse bebê e essa mãe com um pós-operatório desafiador, desnecessário.

A professora da educação infantil Melina Chaves está grávida de 39 semanas de Joaquim, seu primeiro filho, que pode chegar a qualquer momento. Ela conta que gerar uma vida que virá no mês do nascimento de Jesus é uma resposta a todas as suas orações.

— Todo Natal eu acendia uma vela e pedia aos anjos de luz e à Nossa Senhora que me agraciassem com a maternidade. O Natal é tempo de conexão com os meus sonhos, de pausar, olhar para dentro e agradecer. Este presentão que vem em forma de gente para mim é o meu sonho mais sonhado — diz a moradora de Botafogo.

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Para ela, a chegada de Joaquim representa a passagem por um portal de amor:

— Assim que descobri a gravidez, pensei: “E o milagre da vida se fez em mim”. Não existe transformação maior do que ser templo e morada de alguém.

Montar a decoração natalina e preparar a casa para receber Joaquim foi especial: teve a participação de marido, mãe, sogra e do enteado Bento, de 2 anos e 7 meses.

— Sempre quis uma árvore de Natal bem grande, até o teto, e, este ano, me dei de presente. Eu me peguei várias vezes observando a montagem da árvore em família, olhando para a barriga e agradecendo baixinho a Deus: “Valeu, cara, você foi demais! Obrigada por tanto!” — diz.

A gravidez da advogada Marta Santoro foi igualmente muito desejada. Ela conta que demorou para cair a ficha de que Eduardo, seu primeiro filho, estava vindo por aí (e pode já ter chegado quando você estiver lendo esta reportagem: ela está grávida de 40 semanas).

— Fiquei muitos anos tentando engravidar, fiz várias fertilizações in vitro, já estava numa de “se não for para ser, a gente adota”. E ele acabou vindo naturalmente, foi uma alegria inexplicável. É algo muito mágico estar gerando uma vida — afirma a moradora do Leblon.

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Funcionária do setor financeiro de uma empresa farmacêutica e “muito prática”, a advogada diz que, mesmo antes da chegada do primogênito, ele já vem transformando a vida dela:

— Morei fora, passei por muitos perrengues, fiquei um pouco endurecida. Ele está trazendo uma ternura que estava adormecida em mim, uma sensibilidade maior. Voltei a valorizar pequenas coisas.

Marta conta que o marido a está enchendo de mimos:

— Ele está cuidando de mim com muito carinho. Eduardo veio para me mostrar que a vida é cheia de surpresas. E vai me ensinar tanto que eu nem tenho como mensurar. É difícil acreditar que estou ganhando este presente.