Com onda de calor, estiagem preocupa mais do que máximas no RS

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PORTO ALEGRE, RS (FOLHAPRESS) - As temperaturas máximas chegaram novamente a 40ºC em dois municípios gaúchos nesta sexta-feira (14), em meio a onda de calor e a estiagem que atingem o Rio Grande do Sul --em Bagé, a máxima foi de 40,8ºC, enquanto Quaraí registrou 40ºC. Os dados são do Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia).

Bagé, na fronteira com o Uruguai, teve a temperatura mais alta registrada na região Sul do país até o momento neste ano, chegando a 41,7ºC, nesta quinta-feira (13). Antes, a máxima do ano no estado havia sido registrada em Quaraí, na fronteira oeste, que alcançou 41,5 ºC, na quarta;

Os próximos dias ainda devem ser de calor extremo no estado. O Inmet divulgou aviso alertando perigo devido à onda de calor para todo o Rio Grande do Sul e para as regiões oeste de Santa Catarina e Paraná, com temperaturas 5ºC acima da média por um período de 3 a 5 dias.

Mais de 50 municípios gaúchos decretaram situação de emergência entre quinta e sexta-feira, segundo dados da Defesa Civil estadual --o número pulou de 209 municípios na quinta para 262 nesta sexta, o que equivale a mais da metade dos 497 municípios do Rio Grande do Sul.

Levantamento da Emater-RS aponta pelo menos 207 mil propriedades gaúchas atingidas pelos efeitos da estiagem e 10,5 mil famílias com dificuldade de acesso à água nas áreas rurais. A estimativa calcula 115 mil produtores de grãos e 23,5 mil produtores de leite com perdas provocadas pela falta de chuvas até o momento.

Jaguarão, na fronteira sul com o Uruguai, foi um dos municípios a decretar situação de emergência nesta sexta. A cidade, onde foi registrada a máxima histórica do Rio Grande do Sul, com a marca 42,6ºC, em janeiro de 1943, chegou a 39,8ºC nesta sexta.

Segundo o prefeito da cidade, Favio Telis (MDB), os prejuízos no setor agropecuário no município podem passar de R$ 120 milhões e cerca de 40 famílias estão sem acesso à água, sendo acompanhadas e atendidas pela prefeitura.

"É a maior estiagem dos últimos dez anos, pelo menos. Estamos reforçando as orientações em saúde, que as pessoas tomem cuidado com o sol, se hidratem, não deixem os animais desprotegidos, sem contar que o ar seco piora as doenças respiratórias, ainda mais em momento de pandemia", diz ele.

A onda de calor que atinge a região e países vizinhos, como Uruguai e Argentina, é resultado de um bloqueio atmosférico, que mantém o ar seco há vários dias, impedindo a entrada de frentes frias, segundo Daniela Freitas, da Climatempo.

"O que está acontecendo é que estamos com ar muito seco instalado naquela região há vários dias, por isso vem ganhando força e a temperatura está subindo", explica ela.

"A tendência é que as chuvas ganhem força pelo estado, principalmente a partir de domingo, com a chegada de uma frente fria, na fronteira da Campanha Gaúcha com o Uruguai, e ao longo dos próximos dias vai avançando. Vai ser uma chuva boa, em todo o estado do RS, com risco de temporal, com volume alto em curto espaço de tempo. Momentaneamente, a função dessa chuva é trazer refresco nas temperaturas e melhorar a qualidade do ar que está precária, mas não irá reverter o cenário de estiagem que se vive há meses."

No final da tarde desta sexta, a Defesa Civil gaúcha emitiu alerta para ocorrência de chuvas fortes, acompanhadas de descargas elétricas e possibilidade de granizo, válido por três horas.

Durante a semana, a ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina, visitou propriedades atingidas na região de Santo Ângelo (RS), para estudar medidas de auxílio a serem adotadas pelo governo federal. Ela esteve ainda em Santa Catarina, Paraná e Mato Grosso do Sul, estados que também sofrem com a estiagem.

Em Porto Alegre, que registrou máxima de 37,8ºC nesta sexta, os termômetros de rua, no centro histórico, chegaram a marcar 42ºC por volta das 15h, na tradicional rua dos Andradas. A máxima foi a mais alta entre as capitais registradas pelo Inmet no dia.

Em Quaraí, outro município na fronteira entre Brasil e Uruguai, que tem registrado máximas em torno de 40ºC, comerciantes e repartições públicas mudaram horários de atendimento durante a semana, segundo a prefeitura, por causa do calor registrado durante o dia.

Os municípios da fronteira, onde tem sido registradas as temperaturas mais altas do estado, também têm alertado também para ocorrência de queimadas, segundo a Amfro (Associação dos Municípios da Fronteira Oeste RS).

Em São Borja, na fronteira com a Argentina, os termômetros de rua chegaram a marcar 47ºC, segundo o prefeito Eduardo Bonotto (PP), também presidente da Famurs (Federação dos Municípios do Rio Grande do Sul).

"A alta temperatura tem trazido sensação térmica muito desproporcional em relação às medições. Um abafamento muito forte, não tem vento para ao menos melhorar a sensação da população e, somado a isso, a estiagem que tem assolado tanto a população urbana, como rural", diz ele.

"A circulação de pessoas diminuiu significativamente nas ruas. Nos preocupamos com a população, porque sabemos que muitas famílias não têm acesso a itens essenciais para minimizar essa sensação. São Borja parece uma bolha de calor, chegando [a ficar] insuportável em alguns momentos. Dizer que no sul do Brasil, que muitos pensam ao frio, se tem as maiores temperaturas do país, não parece verdade."

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