Com ou sem Trump, republicanos correm para manter Senado nos EUA

LAURA CASTANHO
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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Independentemente de quem for eleito o próximo presidente dos Estados Unidos, a prioridade dos republicanos em 2020 é tentar preservar o atual controle no Senado, o espaço mais importante para que o partido detenha algum poder de decisão nos próximos anos. Atualmente, eles têm 53 das 100 cadeiras na Casa. É uma maioria tênue, mas que permitiu a aprovação de algumas das medidas mais controversas de Donald Trump durante os quatro anos de gestão, entre os quais a nomeação da juíza ultraconservadora Amy Coney Barrett à Suprema Corte em tempo recorde e a oito dias da eleição no país. Além de ter a palavra final sobre as indicações à instância máxima do Judiciário no país, o Senado chancela leis que serão fundamentais para que, a partir do próximo ano, o novo --ou o mesmo-- presidente trabalhe para tirar o país de uma crise sem precedentes diante da pandemia que já matou mais de 231 mil pessoas e deixou milhões de desempregados no país. Em 2020, 35 cadeiras do Senado americano estão em disputa, sendo 23 dos republicanos e 12 dos democratas. Caso Trump ganhe e os republicanos forem capazes de preservar a sua maioria, terão aval para seguir aprovando leis que condizem com o programa do partido. Já em caso de derrota no pleito presidencial mas de controle da Casa, poderão limitar drasticamente a atuação do Executivo. O mais provável, no entanto, é que o Senado mude de pêndulo. Segundo o site FiveThirtyEight, que compila pesquisas de intenção de voto e simula projeções eleitorais, há uma chance de 74% de que os democratas se tornem maioria, graças a viradas de voto em estados como Iowa, Colorado e Geórgia. O cenário mais recorrente nas simulações é de que o partido controle ao menos 52 dos 100 assentos da Casa, contando com os dois senadores independentes que não participam da eleição de 2020 e que já votavam com os democratas: Bernie Sanders, de Vermont, e Angus King, do Maine. O resultado no Senado ditará ainda o clima político. Se Biden ganhar e os democratas virarem maioria, o presidente deverá aproveitar os dois primeiros anos, geralmente cercados de entusiasmo diante de um novo governo, para aprovar o maior número de projetos e tentar proteger a legislação de possíveis retrocessos --especialmente com a maioria sólida de juízes conservadores na Suprema Corte. Entre as três medidas que os democratas consideram mais urgentes se Biden for eleito está conferir o status de estado à capital dos EUA, Washington, e a Porto Rico, acabar com regra que permite a obstrução de votações com o apoio de três quintos dos senadores, e aumentar o número de juízes na Corte, este último uma proposta polêmica e sem apoio total dentro do próprio partido. No entanto, se Biden vencer e os republicanos mantiverem o controle do Senado, o democrata deverá ter dificuldades para aprovar leis --assim como foi para Barack Obama em seu segundo mandato, quando o líder da maioria na Casa, Mitch McConnell, bloqueava qualquer iniciativa do governo. Sobraria para o presidente a alternativa de governar quase que exclusivamente por ordens executivas, passíveis de serem revertidas após contestação na Justiça. Mesmo diante da calmaria de uma gestão Biden, o desgaste institucional entre a Presidência e o Senado seria inevitável. Da mesma forma, caso Trump ganhe e o Senado fique nas mãos da oposição, o atual presidente terá menos margem de manobra para governar em seu segundo mandato --e, possivelmente, poderia sofrer um novo processo de impeachment logo nos primeiros meses de 2021. Outro aspecto que torna a vitória no Senado tão crucial para o partido de Trump é a expectativa quase certeira de que, independentemente de quem seja o presidente, os democratas deve manter ou ampliar sua maioria na Câmara dos Representantes (equivalente à Câmara dos Deputados no Brasil). A chance de o resultado acontecer é de 97%, segundo o FiveThirtyEight, e a projeção mais provável é que eles obtenham 239 dos 435 assentos em disputa na eleição. Em 2020, a única vitória com a qual os republicanos parecem contar são as eleições estaduais. Nos 11 estados que decidirão seus governadores, a disputa é bem mais definida: os republicanos devem levar Dakota do Norte, Indiana, Missouri, Montana, New Hampshire, Utah e West Virginia, enquanto os democratas devem ser eleitos na Carolina do Norte, Delaware, Vermont e Washington. Assim, os Estados Unidos teriam 26 estados governados por republicanos e 24 por democratas.