Com pandemia, custos do governo federal subiram 70% no primeiro semestre de 2020

Gabriel Shinohara
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Jorge William / Agência O Globo
Jorge William / Agência O Globo

BRASÍLIA — Durante o primeiro semestre deste ano, o custo de operação do governo federal para executar seus programas e serviços aumentou 70% na comparação com o mesmo período de 2019. Os números estão no Boletim Foco em Custos divulgado nesta terça-feira pelo Ministério da Economia.

Esses custos, que somaram R$ 1,73 trilhão no primeiro semestre de 2020 contra R$ 1 trilhão em 2019, englobam insumos financeiros e de funcionamento.

Os financeiros são pagamentos de aposentadorias, transferências para estados e despesas com juros e correspondem pela maior parte do aumento. No primeiro semestre de 2019, o gasto foi de R$ 894 bilhões e subiu para R$ 1,6 trilhão em 2020, um crescimento de 79%.

De acordo com o ministério, esse crescimento se deu principalmente por conta do auxílio emergencial, transferências de recursos para bancar a tarifa social da energia elétrica e para os estados.

"O incremento em Transferências Intergovernamentais devido ao aumento das transferências fundo a fundo para estados, Distrito Federal e municípios, nas ações de atenção a saúde da população para procedimentos em média e alta complexidade e de enfrentamento da emergência de saúde pública de importância internacional decorrente do coronavírus, no âmbito do Sistema Único de Saúde.

Já os gastos com o funcionamento do governo federal, que envolvem serviços para o dia a dia, como apoio administrativo, limpeza e telefonia, cresceram 4%, de R$ 124 bilhões no primeiro semestre de 2019 para R$ 129 bilhões em 2020. O aumento foi causado principalmente pelo Ministério da Saúde, que registrou um crescimento nos gastos de 55% no mesmo período.

“O incremento do item Material de Consumo no Ministério da Saúde (custos de funcionamento do Poder Executivo) é devido, preponderantemente, ao aumento em custos de materiais farmacológicos (medicamentos ou componentes destinados a manipulação de drogas medicinais) distribuídos pelo Sistema Único de Saúde - SUS; de materiais reagentes para diagnóstico clínico e materiais de assepsia e equipamentos de proteção individual para ação preventiva contra o coronavírus”.

O ministério ressalta que se não houvesse esse aumento de despesas na pasta da Saúde, os gastos com o funcionamento do governo federal teriam caído 6%, principalmente por causa da adoção do teletrabalho. Como os servidores não vão mais ao ministério, os custos com água e energia, por exemplo, diminuem. Além disso, os gastos com diárias e passagens caíram 42% por conta da necessidade de isolamento social.