Com pandemia, governo prevê queda de 4,7% no PIB em 2020

Manoel Ventura
Novas projeções do Ministério da Economia levam em conta impacto da crise do coronavírus

O governo federal passou a prever uma queda de 4,7% na economia brasileira neste ano. As novas projeções de desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil em 2020 foram divulgadas nesta quarta-feira pelo Ministério da Economia e trazem pela primeira vez os efeitos da pandemia de coronavírus na atividade econômica. A última estimativa oficial, divulgada em março, ainda era de uma alta de 0,02%.
Se esse número for confirmado, será a maior retração registrada no país desde 1962, quando iniciou a série disponível no site do Banco Central. Até agora, o pior resultado da economia brasileira foi registrada em 1990, quando houve uma queda de 4,35% no PIB. Em 2019, a economia cresceu 1,1%. Em 2018, 1,3%.

Para 2021, 2022 e 2023, respectivamente, o Ministério da Economia projetou um crescimento de 3,2%, de 2,6% e de 2,5% para o PIB brasileiro. Ou seja, o governo espera uma recueração lenta da economia brasileira, com o nível do produto retomando ao período pré-crise apenas em 2022.

O governo tem mapeado efeitos significativos da pandemia do novo coronavírus sobre a atividade econômica, o que levou à queda brusca nas previsões oficiais. Para a Economia, “há enorme incerteza sobre o prolongamento do isolamento, da velocidade da retomada da economia e do potencial de destruição estrutural da crise”.

“Provavelmente, a retração do PIB neste ano será a maior de nossa história”, admite nota do ministério. “A paralização das atividades, deterioração do emprego e a piora no cenário internacional promoveram redução na projeção do crescimento brasileiro de 2020 para -4,7%”, completa.

O ministério afirma que a queda de 4,7% na economia neste ano considera um cenário de manutenção do distanciamento social apenas até 31 de maio.

No último Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central e que reúne as previsões de mercado, a projeção mostrou que a economia deve encolher 4,11% neste ano.

Organismos internacionais como Banco Mundial e Fundo Monetário Internacional (FMI) preveem um baque na economia brasileira em 2020 ainda pior que as projeções do governo. O Banco Mundial estima uma queda de 5% e o FMI, de 5,3%.

Para diminuir o impacto da pandemia de coronavírus na economia, o governo já anunciou uma série de medidas. Ao todo, as medidas anunciadas de combate ao coronavírus já chegam a R$ 349,4 bilhões em gastos do governo ou renúncia de receitas alo longo de 2020. São ações para aumentar diretamente os repasses para a saúde, além das medidas para reduzir os impactos econômicos da crise.

O governo atualizou ainda outros parâmetros importantes para a economia.

A previsão do Ministério da Economia para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador oficial da inflação, a expectativa para este ano passou de 3,12% para 1,77%.

A pasta atualizou ainda a previsão da cotação do dólar neste ano. Pela contas apresentadas pelo governo, a moeda americana terá uma cotação média de R$ 4,99. Antes, a estimativa era de um câmbio a R$ 4,35.

A expectativa é que o barril de petróleo seja negociado a uma média de US$ 35,67 ao longo do ano. Antes, a expectativa era de US$ 41,87.

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O governo avalia que há um um risco de forte aumento da inadimplência das empresas, de  falências e aumento do desemprego. “Dessa forma, os efeitos da quarentena não se dão somente para o período em que vigora, mas com efeitos para os trimestres e anos posteriores”, diz estudo da Secretaria de Política Econômica (SPE) da pasta.

Especialistas afirmam que o isolamento social é a única maneira de evitar uma disseminação descontrolada do vírus e, como consequência, um colapso no sistema de saúde das cidades.

A SPE estimou que a perda de uma semana adicional de quarentena é de R$ 20 bilhões para a economia do Brasil. A secretaria do ministério avalia que os custos envolvidos no isolamento devem ser muito maiores já que, quanto maior o tempo em isolamento social, maior será a perda de arrecadação das empresas e seu endividamento, promovendo um número crescente de falências e destruição de postos de trabalho.

"O mesmo efeito ocorre sobre o endividamento público, que tem gastos majorados e redução nas arrecadações. Assim, os canais de impacto da crise que afetam o médio e o longo prazo são amplificados por períodos maiores de isolamento social", pontuou.

Para a Economia, se o isolamento se prolongar para além de maio, o efeito econômico será acentuado.