Com pedido negado pelo INSS, família de menino com doença rara recorre a vaquinha virtual para se manter

Cíntia Cruz
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Leonardo e Janete com o filho Fábio, que tem síndrome de West e esclerose tuberosa

Desde de 2018, Leonardo de Oliveira Sales, de 30 anos, busca uma solução para conseguir sustentar sua família. Pai de Fábio Sá de Oliveira, de 2 anos e 8 meses, diagnosticado aos cinco meses com síndrome de West e esclerose tuberosa, Leonardo, que está desempregado, tenta junto ao INSS o benefício de prestação continuada. A última resposta do instituto, em fevereiro, foi mais uma vez negativa.

Por isso, Leonardo começou a vender salgadinhos com a mulher, Janete Sá, de 24 anos. Ele faz as entregas de bicicleta, mas a renda não é suficiente para o sustento da família, que mora numa quitinete no bairro Rancho Novo, em Nova Iguaçu, Baixada Fluminense. O casal também é pai de Davi, de 1 ano.

Uma vaquinha online, promovida pelo Razões Para Acreditar, pretende arrecadar R$ 22,6 mil até o dia 13 deste mês para que Leonardo consiga montar sua salgadaria. Com o valor, ele pretende comprar um freezer, uma fritadeira elétrica e uma moto para fazer as entregas e tirar a habilitação.

— Fiz um vídeo e postei na internet. Estava chovendo e eu estava fazendo entrega dos salgadinhos de bicicleta. O pessoal do Razões para Acreditar me procurou para oferecer ajuda. Com esse valor, a gente vai poder armazenar mais salgados, fazer mais entregas e parar de depender das pessoas — conta Leonardo.

A venda de salgados ainda não tem sido suficiente para a família porque a quantidade vendida é pequena, já que Leonardo não tem onde armazenar os produtos congelados e só consegue transportar uma pequena quantidade na sua bicicleta. A dificuldade tem sido tanta que ele conta que chegou a passar dificuldades ano passado:

— Tem dias que não temos nada em casa. Temos que pedir fiado na barraca ou a algum vizinho.

Leonardo conta que desistiu de procurar emprego, depois de distribuir cerca de 60 currículos e não conseguir nenhuma oportunidade.

— Ninguém vai entender se eu precisar sair mais cedo ou faltar num dia que ele tiver alguma crise. Podem entender no primeiro dia, mas depois vão me mandar embora. Em janeiro, ele fez uma ressonância que acusou cistos renais e nódulos no cérebro. Só consegui marcar esse exame na Secretaria de Saúde de Duque de Caxias. Não tinha nem R$ 1. Fui até lá de bicicleta. Pedalei por mais de duas horas só para chegar lá. Custava R$ 3,3 mil no particular — explicou.

Mais um pedido negado

Fábio foi encaminhado para um nefropediatra, e Leonardo também só achou a especialidade em Caxias. Mas, na última terça-feira, não conseguiu ir porque não tinha dinheiro de passagem.

O menino faz tratamento no Hospital Geral de Nova Iguaçu a cada quatro meses, e toda semana tem consulta com neurologista e faz hidroginástica no Centro de Atenção em Saúde Funcional Ramon Pereira de Freitas (CASF), no bairro Jardim da Viga. Além das despesas com passagem, Leonardo gasta, só com Fábio, cerca de oito pacotes de fraldas e quase 50 caixas de leite por mês.

Ele conta com algumas doações que recebe através da página que criou, Todos Pelo Fábio, mas nem sempre são suficientes. Em abril de 2018, ele deu entrada no INSS. O pedido foi negado em agosto do mesmo ano. O pai recorreu em janeiro de 2019. Um ano depois, obteve retorno do INSS, dizendo que havia erro na documentação. Leonardo entregou a papelada que faltava e, em fevereiro, recebeu e-mail do INSS indeferindo o pedido, alegando que a família recebe cerca de R$ 400 mensais.

— Na primeira vez, em 2018, a perita disse que Fábio não estava no parâmetro para receber o benefício. Agora, disseram que a gente tem essa renda mensal de R$ 400. Não temos essa renda. Depois disso, perdi o ânimo de entrar com outro recurso.

Procurado, o INSS não respondeu à reportagem. O link para a vaquinha virtual da salgadaria de Leonardo é o https://voaa.me/vaquinha-pai-fabio.