Com pesquisas estáveis, Bolsonaro sobe tom e atacará corrupção em governo Lula

Presidente Jair Bolsonaro

Por Ricardo Brito

BRASÍLIA (Reuters) - A campanha do presidente e candidato à reeleição, Jair Bolsonaro (PL), decidiu subir o tom e intensificar os ataques com escândalos de corrupção para desgastar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), principal adversário na corrida ao Palácio do Planalto, disseram à Reuters duas fontes.

A iniciativa de elevar os ataques contra Lula ocorre após uma série de pesquisas recentes ter apontado, de maneira geral, uma estabilidade na disputa presidencial, que mostra Bolsonaro em segundo, atrás de Lula.

Pesquisa Ipec divulgada na segunda-feira mostrou Lula estável com 44% e Bolsonaro com 31%, tendo oscilado 1 ponto percentual para baixo, na comparação com a sondagem anterior.

A intenção de enfocar nos escândalos de corrupção petista, conforme as fontes, tem por objetivo tentar aumentar a rejeição do ex-presidente já tendo em vista um possível cenário de segundo turno entre os dois.

Uma das fontes disse que, provavelmente a partir desta terça-feira, o programa eleitoral na TV e no rádio da campanha de Bolsonaro deveria explorar as acusações que envolvem o ex-presidente e partidários dele. A fonte, entretanto, não declinou qual tipo de acusação será mostrada.

No programa que foi ao ar no início da tarde de terça, o assunto começou a ser explorado. No final da peça, três pessoas rejeitam votar no petista após o programa exaltar o combate ao crime organizado e a valorização dos profissionais da segurança pública no governo Bolsonaro, mostrando comparativos melhores em apreensão de drogas do que nas gestões petistas, por exemplo.

"Eu acho o Lula um verdadeiro ladrão, que não se importa com ninguém, que não se importa com a sociedade, que rouba a sociedade", disse uma das entrevistadas.

"Nunca votaria num ladrão, Nunca, nunca, nunquinha", afirmou outra pessoa.

Segundo uma das fontes, em comentário após o programa ir ao ar, novas peças de campanha --inclusive nas inserções durante a programação de rádio e TV-- vão explorar o tema nos próximos dias.

Após ter sido condenado pela operação Lava Jato, Lula chegou a ser preso por 580 dias e ficou temporariamente inelegível de concorrer às eleições em 2018 --vencidas por Bolsonaro. Posteriormente, suas acusações foram derrubadas pelo Supremo Tribunal Federal que o reabilitou politicamente para disputar este ano.

Outra fonte disse que a decisão de atacar o ex-presidente decorre também do fato de que a campanha de Lula ter levado ao ar uma inserção em que se refere à compra de imóveis de Bolsonaro e de familiares dele nas últimas décadas em parte com dinheiro vivo, segundo reportagem recente do UOL.

Essa fonte afirmou que, na disputa dos escândalos de corrupção, o passivo do PT é maior e há muito material a ser usado. "Vamos desmontar o adversário", resumiu ela.

Além desse ponto, conforme essa fonte, a campanha vai tentar desgastar o ex-presidente ao enfocar temas como o suposto ataque às religiões cristãs pelos petistas e uma eventual política de redução na liberação das armas, em caso de vitória de Lula.

PESQUISAS

Na campanha de Bolsonaro, não é motivo de grande preocupação os dados das pesquisas recentes que mostram uma estabilidade do presidente na corrida eleitoral, segundo as duas fontes. Eles avaliam que, embora as principais sondagens mostrem uma distância de até 13 pontos percentuais no primeiro turno, a distância seria menor, de cerca de 5 pontos percentuais, conforme pesquisas internas contratadas pelo QG.

Um motivo de preocupação, segundo as duas fontes, é o fato de que a rejeição de Bolsonaro não ter caído e que recentes declarações e ataques do presidente ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal e presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e a jornalistas mulheres não ajuda nessa tarefa.

A solução encontrada pelo QG de campanha, conforme uma das fontes, é tentar, ao menos nos programas de rádio, TV e nas inserções, apresentar o "Jair", em um estilo paz e amor, de família e de amigos. Segundo a fonte, é uma estratégia para torná-lo menos truculento e mais afável para o grande público.

Na campanha, entretanto, a orientação dada para Bolsonaro é que não faça ataque nominais ao Supremo, em especial a Alexandre de Moraes, em discursos que fará na quarta-feira, por ocasião do feriado de 7 de Setembro. Mas as fontes admitem que o ex-presidente é incontrolável, ainda mais quando o público o estimula.