Com piora de índices em BH, Kalil fecha praças e parques e endurece medidas

FERNANDA CANOFRE
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BELO HORIZONTE, MG (FOLHAPRESS) - Uma semana depois de Belo Horizonte voltar a ter fechamento do comércio e abertura apenas de serviços essenciais, o prefeito Alexandre Kalil (PSD) anunciou novas medidas para endurecer o enfrentamento à pandemia na capital mineira. Entre as medidas estão fechamento de parques, praças e locais de caminhada; restaurantes podem vender apenas por tele-entrega, ficando proibida a retirada no local; lojas de conveniência só podem funcionar de segunda a sexta até às 18h e estão suspensos cultos de todas as religiões com templos abertos. Kalil afirmou ainda que a fiscalização será implacável. "Não temos mais o que fechar, gente. Só falta fechar supermercado, ninguém comer, fechar farmácia, ninguém mais comprar remédio. Acabou o fechamento, não temos mais o que fechar", afirmou o prefeito nesta sexta-feira (12). Algumas medidas passam a valer a partir da publicação no Diário Oficial do Município, neste sábado, enquanto outras serão implementadas a partir da próxima segunda-feira. Os três índices de monitoramento que definem as medidas em BH estão no vermelho, o que indica risco. A taxa de ocupação de leitos de UTI Covid-19 chegou a 89,4%, a de leitos de enfermaria 75,6% e o número médio de transmissão por infectado, o chamado RT, é de 1,22. Segundo o secretário municipal de saúde, Jackson Machado, a capital costuma ter média de 29 sepultamentos por dia nos cemitérios municipais, mas na quinta-feira, registrou 41 casos, 12 de vítimas da Covid-19. Um dos infectologistas que fazem parte do comitê que orienta a prefeitura sobre as medidas a serem adotadas, Estevão Urbano, afirma que o cenário é de pré-colapso. "A situação não é grave, ela é gravíssima. As pessoas não sabem o que está acontecendo e o que poderá acontecer nos hospitais. Se não fizermos cada um a sua parte, essa situação será sentida na pele de todos e o serviço colapsará", afirmou ele. "O vírus está circulando de forma rápida, é mais agressivo, é mais transmissível e, certamente, pode fazer com que tenhamos esse número de mortes em ascensão no país inteiro. Belo Horizonte não é uma ilha", diz Carlos Starling, outro infectologista que compõe o comitê. Kalil anunciou ainda que a prefeitura irá realizar um estudo dentro dos prédios comerciais da cidade, para mapear escritórios que estão abertos e que poderia estar em trabalho remoto, para entender o impacto no transporte coletivo da cidade. O estudo deve ser concluído dentro de dez dias. "Não podemos continuar com essa lotação no transporte público, sendo que a cidade está toda fechada. Existe um mistério aí e está nos prédios comerciais, nos serviços que estão sendo prestados e são praticamente invisíveis. É um estudo que demanda tempo, vamos detectar e fechar esses escritórios também", afirmou ele. BH segue um protocolo próprio de medidas que orientam a flexibilização de atividades na pandemia, não tendo aderido ao plano criado pelo governo Romeu Zema (Novo), o Minas Consciente. No início do mês, o plano ganhou uma nova fase que impõe medidas de lockdown para regiões em situação crítica, com toque de recolher entre 20h e 5h e funcionamento apenas de atividades essenciais. Kalil, porém, descartou a possibilidade de toque de recolher na capital. "Se eu fizer isso, além dos turnos de hospitais, eu tiro o essencial, que é farmácia e supermercado, que circula num horário que não tem tráfego. É inócuo, se não tiver uma decisão durante o dia", avalia. Ele anunciou ainda que a capital mineira deve adquirir 4 milhões de doses da Sputnik V, assim que ela estiver regularizada no Brasil. O prefeito disse que está conversando com o senador Antonio Anastasia (PSD) para providenciar os trâmites de importação, e em contato com o consulado da Rússia. A capital mineira tem cerca de 2,5 milhões de habitantes, segundo estimativa do IBGE. O prefeito também comentou sobre imagens que circulam nas redes sociais o colocando como possível candidato a vice do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2022. Lula voltou a ficar elegível, depois que suas condenações foram anuladas por uma decisão do ministro Edson Fachin, que entendeu que os processos não deveriam ter tramitado em Curitiba. "É impressionante como tem gente que, no meio de tanta tragédia, brinca com coisa séria. Eu não tenho nenhuma ligação com o PT. Na primeira eleição, falei: eles querem colocar estrela no meu peito, daqui a pouco vão falar que eu tenho o escudo do Cruzeiro tatuado na coxa", respondeu ele em referência ao clube rival do Atlético-MG, time presidido por Kalil.