Com popularidade em queda e investigado no STF, Bolsonaro tenta demonstrar força em manifestação

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BRASÍLIA - Em meio à queda de popularidade e a investigações no Supremo Tribunal Federal (STF), o presidente Jair Bolsonaro tentará demonstrar sinais de força nas manifestações de 7 de setembro de olho nas eleições de 2022.

O primeiro ensaio será num café da manhã nesta terça-feira com a maioria dos ministros do governo no Palácio da Alvorada, sua residência oficial, onde haverá também uma cerimônia de hasteamento da bandeira do Brasil. Em seguida, Bolsonaro deverá seguir em cima de um caminhão para a Esplanada dos ministérios, onde se encontrará com o seus apoiadores, e viajar para São Paulo, onde participará de um evento na Avenida Paulista. Bolsonaro quer usar a data para provar que ainda é capaz de mobilizar seguidores pelas ruas e demonstrar a viabilidade de sua candidatura à reeleição.

A expectativa é que a maioria dos ministros participe do hasteamento da bandeira do Brasil no Alvorada. Bolsonaro tem convocado seus subordinados a participar de atos do 7 de setembro, mas parte deles pretende evitar aglomerações, como é o caso do ministro da Economia, Paulo Guedes, que é esperado para o ato de hasteamento da bandeira, mas não deve seguir para a Esplanada.

Aliado de primeira hora de Bolsonaro, o ministro do Turismo, Gilson Machado, vai acompanhar o presidente durantes as manifestações em Brasília e deve embarcar para São Paulo com ele. No avião presidencial que seguirá para a capital paulista devem embarcar também os ministros Braga Neto (Defesa), Augusto Heleno (GSI), Tarcísio de Freitas (Infraestrutura), Gilson Machado (Turismo), Luiz Eduardo Ramos (Secretaria Geral) e Onyx Lorenzoni (Trabalho). Já os ministros João Roma (Cidadania), Rogério Marinho (Desenvolvimento Regional) e Wagner Rosário, da Controladoria Geral da União, devem ficar nas manifestações em Brasília.

O chefe da Casa Civil, Ciro Nogueira, está no Piauí, sua base eleitoral, e não deve participar das manifestações. A ministra da Secretaria de Governo, Flávia Arruda, também não pretende ir às ruas. Já o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, está em viagem oficial a Roma e por isso não estará no ato.

A véspera das manifestações deixou o presidente entusiasmado. Bem-humorado, ele fez piadas com seus ministros nesta segunda-feira e usou por três vezes o helicóptero da Presidência para sobrevoar Brasília, localizar acampamentos de apoiadores e “contar” os ônibus de bolsonaristas que viajaram para Brasília para participar dos atos. No primeiro sobrevoo, ao lado dos ministros Anderson Torres, da Justiça, e Luiz Eduardo Ramos, e do chefe do gabinete presidencial, Celio Faria, Bolsonaro “contabilizou” pelo menos 60 ônibus estacionados na capital.

O presidente também recebeu em seu gabinete, fora da agenda oficial, alguns amigos acompanhados de suas esposas e filhos. À tarde, Bolsonaro fez questão de cumprimentar apoiadores em frente ao Palácio do Planalto. Ele recebeu uma estátua de madeira, presente de um artesão do município de Lucas do Rio Verde, em Mato Grosso.

Acossado pelas crises que assolam o seu governo, Bolsonaro vem reservando cada vez menos tempo na sua rotina para compromissos ligados à administração pública e cada vez mais vem dedicando atenção a eventos de caráter eleitoral. Somente nas últimas duas semanas, ele participou de uma motociata em Goiânia numa sexta-feira e repetiu a dose numa terça-feira em Uberlândia.

Enquanto o presidente acena para os seus apoiadores em horário comercial, o Brasil enfrenta uma crise hídrica, o aumento da inflação, a disparada no preço do combustível e a pandemia que ceifou a vida de mais de 584 mil pessoas durante a pandemia.

Mesmo com tantos problemas para gerenciar, Bolsonaro entrou em rota de conflito com o Poder Judiciário. Há alguns meses, o presidente vem atacando de forma recorrente ministros do Supremo e o sistema eleitoral. Em função disso, passou a ser investigado num inquérito no STF que apura a divulgação de notícias falsas, além de ser alvo de uma investigação mais antiga sobre interferência indevida na PF e um novo inquérito sobre vazamento de um informações sigilosas de uma apuração da PF sobre urnas eletrônicas.

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