Com poucas restrições, Xerém vê torcedores irem saudar Vasco na porta do estádio

Tatiana Furtado
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A proibição de jogos na cidade do Rio de Janeiro, para tentar frear a pandemia, levou os times da capital a se mudarem temporariamente para municípios que mantiveram a maioria das atividades liberadas. O Vasco encontrou abrigo em Xerém, a 44 quilômetros de São Januário. Lá mandou seu jogo contra o Madureira, no empate em 2 a 2, e chegou a seis pontos na Taça Guanabara — distante do grupo dos quatro que se classificam às semifinais do Campeonato Carioca.

O distrito, assim como toda a cidade de Duque de Caxias, não mudou seu dia a dia por causa do jogo. Afinal, era apenas mais uma das tantas atividades permitidas por decreto municipal. A prefeitura local só restringiu a abertura de parques, cachoeiras, rios e lagoas. Todo o comércio e indústria seguiram o modelo determinado pelo governo do Estado no “super feriadão”, que começou na última sexta-feira e vai até domingo de Páscoa. Tudo aberto como recomendou Washington Reis, prefeito de Caxias, que contabiliza mais de 1.100 mortes pela Covid-19.

Enquanto o Vasco buscava mais uma vitória em campo, bares, restaurantes e lojas tinham movimentação de acordo com a pacata Xerém numa tarde ensolarada de sábado. Nada de grandes aglomerações, mas pouco uso de máscara nas ruas.

A poucos quilômetros do Centro de Xerém, o estádio de Los Larios, no entanto, vivia um dia pouco comum nos últimos tempos. Para alegria do vascaíno Leandro Barbosa, 40 anos. Há mais de dois anos, ele não via o distrito receber seu time de coração. Com o público ainda proibido, operador de telemarking se contentou em ver a chegada do ônibus da delegação e saudar os jogadores. Ele entende o momento do estado por causa da pandemia — o Rio tem recordes de filas por vagas na UTI, e em Caxias a ocupação dos leitos dos hospitais públicos passava dos 95%, tanto enfermaria quanto CTI, na sexta-feira.

— Estou sentindo muita falta do futebol. Sempre vinha aqui quando tinha jogo. Tão perto e tão longe ao mesmo tempo... — disse.

Leandro decidiu acompanhar o jogo pelo rádio em frente ao estádio, num boteco. Quem sabe dali ele conseguiria ouvir algo. Como a comemoração do gol de Matias Galarza, que abriu o placar para o Vasco ainda no primeiro tempo. Mas não pôde ver a boa jogada de Cayo Tenório, que foi ao fundo e cruzou para trás. A defesa do Madureira se preocupou com Cano, de volta ao time, e deixou o jovem paraguaio livre.

O operador de telemarketing também não viu o golaço de fora da área do lateral Zeca, uma das contratações do Vasco para a temporada.

Quem também comemorou foi Wellington Silva, de 36 anos, que trabalha no boteco. Acostumado ao grande movimento em épocas de jogos em Los Larios, o movimento é baixo desde o início da pandemia.

Neste sábado, ele recuperou em parte a clientela, composta por alguns torcedores do Vasco que foram receber o ônibus do time, os policiais militares que fizeram a segurança do jogo e a imprensa.

— O jogo deu uma apimentada no movimento aqui. Vieram alguns torcedores mas ficaram pouco tempo. Mas já deu uma melhorada — contou.