Com poucos deputados nas assembleias, nove governadores eleitos terão desafio para compor base

A formação de uma base de apoio nas assembleias legislativas para garantir governabilidade e a aprovação de projetos será um dos primeiros desafios dos governadores eleitos no pleito deste ano. Um levantamento feito pelo GLOBO, com base nas novas composições dos Legislativos estaduais, aponta que a tarefa demandará uma articulação ainda maior em prol de alianças para nove desses chefes de Executivos estaduais. Isso porque irão comandar estados em que suas respectivas coligações eleitorais elegeram menos da metade dos deputados que tomarão posse em janeiro.

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Os governadores que mais terão que buscar apoio fora de suas coligações são Raquel Lyra (PSDB), em Pernambuco, cujo partido elegeu apenas três deputados; Jorginho Mello (PL), em Santa Catarina; Romeu Zema (Novo), em Minas Gerais; e Fátima Bezerra (PT), no Rio Grande do Norte. A lista de mandatários com menos aliados de primeira hora inclui ainda Eduardo Leite (PSDB), no Rio Grande do Sul; Tarcísio de Freitas, em São Paulo; e Jerônimo Rodrigues (PT), na Bahia.

Os dados indicam que o União Brasil é o partido de fora das coligações mais presente nesses estados. A sigla elegeu parlamentares em oito deles e pode ser estratégica para a governabilidade.

Em Minas, Zema terá que lidar com a assembleia mais fragmentada do país, com 24 partidos. Sua coligação elegeu 22 dos 77 deputados. O Novo, sigla do governador reeleito, terá apenas dois nomes. A maior bancada na assembleia mineira é a do PT, com 12 vagas. Em seguida, estão o PL e o PSD, do derrotado Alexandre Kalil, com nove cada. Recentemente, secretários de Zema se reuniram com a bancada do PSD, em busca de uma aproximação.

Presidente do PL em Minas, José Santana vê uma tendência de o partido integrar a base do governo. O PL lançou a candidatura de Carlos Viana, que acabou em terceiro lugar. No segundo turno, Zema apoiou Bolsonaro e comandou sua campanha no estado.

— (O eventual apoio) Tem que ser conversado, mas a tendência nossa é apoiar, porque a maioria (dos eleitos pelo PL) o apoiou na eleição — antecipa Santana.

Professor da Fundação Dom Cabral e autor do livro “Dinheiro, Eleições e Poder: as engrenagens do sistema político brasileiro”, Bruno Carazza avalia que Zema enfrentará um segundo mandato mais difícil, sem um aliado no governo federal, e que esbarra em pressões internas no Novo, que não costuma se aliar a outras legendas:

— No primeiro mandato, Zema foi eleito sem base e enfrentou sérios problemas no governo, além do fato de o Novo adotar uma postura purista, de não fazer composição com partidos. Suas vitórias na assembleia se deram mais pelo apoio de partidos que não eram da base. Ao que tudo indica, ele terá dificuldades também no segundo mandato.

Em Pernambuco, o PSDB de Raquel Lyra elegeu 6% dos deputados. Cidadania e PRTB, que completam a coligação, não terão parlamentares. A maior bancada será a do PSB, que deixa o comando de Pernambuco após quatro vitórias consecutivas. Ao todo, a legenda contará com 14 deputados na nova legislatura. No segundo turno, o PSB apoiou Marilia Arraes (Solidariedade), mas parte dos deputados eleitos declarou preferência por Lyra. Em Santa Catarina, o bolsonarista Jorginho Mello (PL) foi eleito sem coligação. Ele contará com a maior bancada catarinense, mas precisará compor com outras siglas. O segundo maior partido é o MDB, que vai se reunir esta semana para definir que posição tomará.

Mais governistas

No quadro nacional, o cenário é inverso: quase metade dos deputados estaduais e distritais eleitos em todo o país integra partidos das coligações dos governadores. O cenário indica que a maioria dos eleitos já deve começar a gestão com alta adesão nos parlamentos. As siglas que mais apoiaram candidatos bem-sucedidos nas urnas são o PP, presente na coligação de eleitos em 13 estados, e o MDB, em 12.

A aliança do governador que conquistou mais assentos é a de Helder Barbalho (MDB), no Pará. No estado, 85% dos deputados são de siglas que apoiaram o emedebista.