Com preparo mental e apoio dos fãs, Furia busca título do Mundial de Counter-Strike

Com 18 anos, 'drop' já mostra bastante força no servidor para a Furia (Foto: Adela Sznajder/ESL Gaming via ESPAT)
Com 18 anos, 'drop' já mostra bastante força no servidor para a Furia (Foto: Adela Sznajder/ESL Gaming via ESPAT)

Três times brasileiros e um misto sul-americano vieram ao Rio de Janeiro para disputar o Major de Counter-Strike: Global Offensive (CS:GO), o principal torneio do calendário do game com duas edições anuais. Mas apesar do grande número de locais, apenas uma equipe conseguiu chegar aos playoffs, a Furia.

Nesta sexta (11), por volta de 17h30 (horário de Brasília), o quinteto brasileiro entra na Jeunesse Arena lotada para enfrentar a Natus Vincere, uma das principais organizações do mundo e que conta com o maior jogador da história do game (Oleksandr 's1mple' Kostyliev), por uma vaga nas semifinais do primeiro major de CS:GO na América Latina.

Com lineups em vários games, a Furia é a organização brasileira que mais tem investido em aspectos fora do jogo, como psicologia, preparação física, nutrição, etc. E boa parte do sucesso neste major, pode ser creditado ao trabalho mental feito pelos psicólogos do time e também pelo co-CEO André Akkari, mais conhecido por sua carreira no poker, e que hoje ocupa também o cargo de técnico da equipe, já que Nicolas 'guerri' Guerri está suspenso.

Nos vlogs da equipe, é possível ver Akkari falando sobre o jogo que mais conhece e tentando dividir experiências para ajudar o time.

"O poker é um jogo com muitas nuances estratégicas, um jogo psicologicamente muito pertinente. Tem muita pressão, tem muita situação difícil que você tem que passar não só durante sua carreira, mas também durante um torneio. A variância é muito alta, tem que aprender a lidar com isso", afirma Akkari. "Aos 47 anos, posso dividir essas experiências com a molecada e isso colabora em alguns momentos para eles se sentirem melhor em momentos de variância, que as coisas não estão indo como eles querem, que os rounds não funcionam como eles ensaiaram."

Uma das últimas adições do elenco, o mais jovem do quinteto, André 'drop' Abreu também destacou a força da preparação psicológica, chefiada por Luciana Nunes e Marcos Bernardo, além de citar a ajuda que os companheiros mais experientes ofereceram quando ele entrou no elenco.

"Desde que eu entrei, o que eu tentava absorver era a experiência dos caras, como elesse preparavam para os jogos porque eu não tava acostumado a jogar com muita pressão, com muita gente me assistindo, muita gente esperando resultado", afirma drop, com apenas 18 anos. "Então eu tive que aprender técnicas de me controlar antes, durante e depois do jogo. O Ber me ajudou muito, a gente tem a Luciana, o Ari que também ajuda, o Guerri sabe bastante da área. Eles estavam ali sempre me ajudando, me dando o suporte que eu precisava, me dando os inputs que eu precisava para me sentir confortável e hoje eu acho que já tô ficando mais acostumado."

No Rio, a Furia conseguiu lidar melhor que os outros times brasileiros com a torcida e a pressão dentro do Riocentro, com cerca de cinco mil pessoas cantando alto em todo momento que um time brasileiro esteve no palco. Mas não foi sempre assim. No primeiro jogo da fase inicial, o Challengers Stage, o quinteto deixou escapar uma vantagem de dez rodadas e perdeu na prorrogação para os alemães da BIG.

"Acho que não foi um choque, acho que a gente não soube aproveitar a torcida a nosso favor. A gente tinha muitos rounds de vantagem, a gente tinha confiança, estávamos confortáveis no jogo, mas não soubemos usar a torcida a nosso favor para manter a vibe lá em cima", explica drop. "Não perdemos só pela parte técnica, mas muito por causa da vibe que começamos a sentir quando tudo virou uma bola de neve e eles começaram a encostar no placar."

Após o susto inicial, a Furia acelerou e nunca mais tirou o pé do pedal. Vitórias em quatro mapas seguidos (duas melhores de um mapa e uma melhor de três) colocaram a equipe brasileira na segunda fase, o Legends Stage.

Já com o peso de ser o único representante do país no primeiro major em casa, a Pantera não tomou conhecimento dos adversários, vencendo três jogos seguidos (duas melhores de um mapa e uma melhor de três), incluindo uma virada sensacional contra a Team Spirit e uma vitória acachapante sobre a mesma BIG do primeiro jogo no Rio, para garantir a vaga nos playoffs.

"Depois desse jogo [contra a BIG], conseguimos arrumar os problemas e mesmo no jogo contra a Spirit, em que estava 10 a 1 para eles, a nossa vibe era de como se estivesse 10 a 0 pra gente", relembra o rifler. "Estávamos focados e confiantes, sabíamos que poderíamos virar, como fizemos. A 'escorregada' contra a BIG serviu muito de aprendizado pra gente e queremos continuar usando nossos erros de apoio nos próximos jogos e, se Deus quiser, a gente sai com o troféu."

Programação

Quinta, 10 de novembro

14h - Fnatic 0x2 Outsiders
17h30 - Cloud9 1x2 Mouz

Sexta, 11 de novembro

14h - Heroic x Team Spirit (QF3)
17h30 - Furia x Natus Vincere (QF4)

Sábado, 12 de novembro

14h - Outsiders x Mouz
17h30 - Semifinal 2 (QF3 x QF4)

Domingo, 13 de novembro

13h - Showmatch: Brasil x Suécia
15h - Final

Onde assistir

Para o Brasil, a transmissão oficial em português pode ser encontrada no canal do Gaules na Twitch. A transmissão internacional está no canal da ESL na Twitch.