Com pressão da inflação e risco fiscal, BC sobe Selic para 7,75%, a maior alta desde 2002

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BRASÍLIA — O Banco Central (BC) considerou a continuidade da inflação alta e a “licença” para furar o teto de gastos para subir a taxa básica de juros, a Selic, de 6,25% para 7,75%.

A decisão levou a maior alta em uma única reunião desde dezembro de 2002, quando os juros subiram de 22% para 25%, logo antes do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva assumir a cadeira.

O movimento de 1,5 ponto percentual (p.p) veio em linha com o que o mercado esperava após a decisão do governo de pagar parte do Auxílio Brasil fora do teto de gastos, que foi vista como uma mudança no regime fiscal. Além disso, a prévia da inflação de outubro veio acima do esperado e pressionou os juros.

No comunicado da decisão, o BC ressaltou os recentes "questionamentos" em relação ao arcabouço fiscal que elevaram os riscos para a inflação.

"Apesar do desempenho mais positivo das contas públicas, o Comitê avalia que recentes questionamentos em relação ao arcabouço fiscal elevaram o risco de desancoragem das expectativas de inflação, aumentando a assimetria altista no balanço de riscos. Isso implica maior probabilidade de trajetórias para inflação acima do projetado de acordo com o cenário básico", diz o documento.

Com isso, o BC ainda sinalizou que na próxima reunião, em dezembro, os juros terão uma nova alta de 1,5 p.p, chegando a 9,25%.

Com essa alta, o objetivo do BC é manter a inflação de 2022 na meta de 3,5%, com intervalo de tolerância de 1,5 p.p para cima ou para baixo. Depois da semana passada, as projeções do mercado subiram para 4,40%, contra expectativa anterior de 4,18%, segundo o relatório Focus.

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