Com quarentena, demanda por maconha dispara nos EUA

NOVA YORK - Com a quarentena e o isolamento impostos para conter a epidemia de coronavírus, consumidores americanos foram às compras para estocar produtos essenciais, como alimentos, produtos de higiene e até maconha. De acordo com a Headset, firma de análise do mercado de cannabis, no dia 16 de março as vendas de maconha recreativa registravam alta de 159% na Califórnia, em relação ao mesmo período do ano passado, e saltaram 100% no estado de Washington e 46% no Colorado.

De acordo com os números, houve um aumento modesto no número de compradores, mas os volumes por pedido dispararam. Em Washington, os consumidores gastaram em média US$ 33,70 por compra, alta de 22% em relação à semana anterior, informa a agência Bloomberg.

Na revendedora Leaflink, o aumento das vendas foi de 48% na comparação com a semana anterior, e a empresa teve que correr para regularizar os estoques após um fim de semana movimentado. Na loja on-line Weedmaps, o aumento no número de pedidos foi de 350%.

Mas aparentemente, os consumidores estavam mais focados nos itens comestíveis, em vez dos produtos para fumo, talvez pela preocupação com os efeitos do novo coronavírus sobre o sistema respiratório. Os pedidos de itens comestíveis subiram 18%, enquanto o de flores da planta caíram 21%, segundo a Weedmaps.

Apesar do aumento repentino das vendas, o futuro do mercado é de incerteza. Em algumas cidades, como Nova York, Nevada, São Francisco e Los Angeles, os dispensários de cannabis, que oferecem a planta para uso medicinal, foram classificados como serviços essenciais e, dessa forma, podem continuar operando mesmo com a imposição da quarentena. Mas as lojas que oferecem produtos para uso recreativo não devem receber essa classificação.

Para o analista Bobby Burleson, da Canaccord Genuity, conversas com executivos do setor “apontam para o crescimento no curto prazo e incertezas no médio prazo”. A maioria das empresas tem expectativa de perdas no faturamento no segundo trimestre por causa do fechamento de lojas, que não serão compensadas pelas vendas por delivery.

Bill Kirk, por outro lado, aposta no aumento do consumo por causa do isolamento das pessoas.

— O vício de escolha quando se está sozinho é a maconha. O vício de escolha para grupos é o álcool — disse Kirk. — Isso não resolve as questões de mercados de capitais que algumas companhias enfrentam, mas soluciona o problema de inventário. Com as lojas fechando e a demanda crescendo, os estoques parados estão encontrando um caminho.