Com quase 200 máquinas, clube de pinball abre as portas para o público neste sábado

E aí cavaleiro negro, procurando um desafio para o fim de semana? É que neste sábado o Rio Pinball Clube estará de portas abertas para deleite dos saudosistas que ficam com os olhos brilhando ao ver uma bolinha prateada fazer estripulias pelo playfield (o equivalente ao tabuleiro no jogo). Uma chance dos marmanjos que viveram a febre de toda uma geração voltarem no tempo. E o que é melhor, as máquinas todas estarão funcionando sem fichas. A brincadeira, que acontece uma vez por mês, vai das 15h às 20h, na Rua Uranos 1221, em Ramos, e custa R$ 60 para adultos e R$ 20 para crianças até 12 anos.


O clube, que completa 20 anos em 2023, surgiu quase por uma necessidade. Um dos amigos do grupo apaixonado pelas maquininhas (que são nada pequenas e chegam a pesar 120 quilos) precisava dar um destino às suas preciosidades quando veio o primeiro filho.

— Decidimos alugar um lugar para colocar as máquinas, mas que também serviria como um clube para podermos nos encontrar — lembra Mário Canongia, presidente do clube — Cada sócio tinha uma chave e podia ir a hora que quisesse. Já teve casos de brigar com a mulher em casa e vir para cá jogar e dormir no sofá.

Mas a brincadeira é de gente grande. São cerca de 200 máquinas, entre elas algumas bem raras, como a Oba Oba, da brasileira Taito (que jurava que não engolia fichas em suas campanhas de divulgação). Ela exalta a figura de Sargentelli e seus shows de samba. A cada feito conquistado pelo jogador, uma dancinha nova no backglass ao som de músicas diferentes, como "Samba da minha terra".

Tem ainda Fire Action, Shock, Monster Bash, Medieval Madness, e as modernas Godzilla, Deadpool e Vingadores. Além de arcades, bar tops e até uma jukebox feita com peças de outras máquinas que já passaram por lá. Tal qual um museu que conta a história do jogo, existem algumas máquinas com contador mecânico ainda em funcionamento, como é o caso de uma das Panteras.

Hoje o clube conta com 35 sócios. Quinze ainda nesse esquema de ouro, com a chave do lugar para poder usufruir 24h por dia, sete dias na semana. Há cinco anos, uma nova categoria foi criada, a de sócio jogador. Se antes era preciso ter uma máquina para fazer parte da confraria, hoje já é possível ter alguns privilégios pagando uma mensalidade de R$ 170, que dá direito ao acesso às quintas e sábados.

Um desses novos sócios é o contador Márcio Carvalho, de 31 anos, que começou a visitar os eventos do clube até se tornou sócio-jogador.

— Foi uma forma que encontrei de passar mais tempo com o meu filho, e ele acabou se apaixonando de cara — lembra o pai orgulhoso de Arthur, de 8 anos — Até então, ele só conhecia videogame.

Nem precisa dizer que em pouco tempo Arthur já tinha virado um xodó do lugar. O que os marmanjos não esperavam é que o mascote fosse bater alguns recordes e até mesmo vencer um campeonato, com direito a troféu e tudo.

— Minha máquina preferida é o Cavaleiro Negro. É um pouco difícil, mas eu ganhei um troféu grande para caramba. Fiquei mais de um mês treinando — diz ele, ressaltando que o prêmio foi um reconhecimento de seu esforço — Aqui você pode jogar pinball e videogame, sendo que aqui ainda tem churrasco.

Geralmente, as crianças curtem mesmo é ficar no quartinho dos videogames e acham estranho encontrar diversão numa máquina tão grande — até a bolinha rolar.

— Com essa coisa do digital, as crianças não sabem muito bem o que fazer quando encontram um lançador (mecanismo manual para impulsionar as bolas prateadas) pela frente. Ficam procurando um touch. Aí eu chego para ajudar — conta Mário.

Mas a disneylândia é mesmo dos marmanjos, que fazem de lá uma extensão da quinta-série. Existem painéis com os recordes de cada um em máquinas diferentes. E, claro, o melhor troféu é bater algum número que está por lá. Não tem VAR, a coisa funciona na confiança mesmo. O mínimo de maturidade que se espera dos associados que têm entre 40 e 55 anos.

E para quem pensa que o lugar é uma sede alternativa do Clube do Bolinha, a analista administrativa Ana Paula Lima, de 47 anos, bate ponto lá sempre que pode para mostrar que não.

— No colegial mundo gostava de jogar totó, mas eu me encantei por uma máquina de pinball, a Cosmic. Aprendi o jogo, ganhava créditos e deixava os outros jogarem na minha vez em troca de fichas — relembra, afirmando que estar ali é melhor do que ir à terapia — Eu até faço terapia, mas é aqui no clube que eu relaxo e esqueço que tem vida do lado de fora. Somos apenas eu e a máquina brincando. É um ambiente familiar, muito agradável e que a gente relaxa. Tem vezes que a gente nem joga tanto, vem só pela resenha mesmo.

Se jogar pinball vale mesmo como uma terapia, vai de cada um. Fato é que o clube foi um refúgio para muitos desses sócios na pandemia.

— Foi o período em que a gente teve a maior procura de sócios. Aqui era um Oásis no meio do deserto. Limitamos o número de pessoas com todas as recomendações e foi uma bela escapada para muita gente — lembra Mário.