Com quase 4 mil mortes por Covid a cada dia na Índia, corpos flutuam pelo Ganges

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Familiares observam cremação de homem que morreu de Covid-19 às margens do rio Ganges no Estado indiano de Uttar Pradesh

Por Saurabh Sharma

LUCNAU, Índia (Reuters) - Dezenas de corpos apareceram nas margens do rio Ganges à medida que os indianos não conseguem lidar com as cremações de quase 4.000 pessoas que morrem a cada dia devido ao novo coronavírus no país.

A Índia é atualmente responsável por uma em cada três mortes por Covid-19 relatadas no mundo, de acordo com levantamento da Reuters, e o sistema de saúde do país está sobrecarregado, apesar das doações de cilindros de oxigênio e outros equipamentos médicos oriundos de todo o mundo.

As zonas rurais da Índia não só têm cuidados de saúde mais rudimentares, como também estão ficando sem lenha para as cremações tradicionais hindus.

Autoridades disseram nesta terça-feira que estão investigando a descoberta de dezenas de corpos encontrados flutuando pelo Ganges em dois Estados separados.

"No momento, é muito difícil para nós dizer de onde vieram esses cadáveres", disse o M.P. Singh, autoridade do governo na cidade de Ghazipur, em Uttar Pradesh, na Índia.

Akhand Pratap, um residente local, disse que "as pessoas estão mergulhando corpos no sagrado rio Ganges em vez de cremar por causa da falta de madeira para cremação".

Mesmo na capital, Nova Délhi, muitas vítimas da Covid-19 são abandonadas por seus parentes após a cremação, deixando voluntários para lavar as cinzas, rezar sobre elas e depois dispersá-las no rio na cidade sagrada de Haridwar, a 180 quilômetros de distância.

"Nossa organização recolhe esses restos mortais de todos os crematórios e realiza os últimos rituais em Haridwar para que eles possam alcançar a salvação", disse Ashish Kashyap, um voluntário da instituição de caridade Shri Deodhan Sewa Samiti.

(Por Nivedita Bhattacharjee, Anuron Kumar Mitra, Kannaki Deka, Manas Mishra em Bengaluru, Sudarshan Varadhan em Chennai, Rajendra Jadhav em Satara, Saurabh Sharma em Lucnau e Jatindra Dash em Bubanesvar)

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