Com quase dez anos de atuação, a Tucum, de Amanda Santana, resgata e comercializa a arte indígena de mais de 90 povos em prol da autonomia deles

A primeira vez que Amanda Santana, de 40 anos, teve um contato maior com os povos da floresta foi em um encontro de troca de sementes no território dos Krahôs, em uma região entre os estados do Maranhão, Piauí e Tocantins. Nos dias em que esteve ali, se encantou com as mulheres Kayapós e fez amizade com elas. Um tempinho depois, foi passar 20 dias na aldeia das artesãs que havia conhecido. “Aprendi até a falar Kayapó. Foi uma imersão muito grande. Quando voltei para o Rio, trouxe muitos acessórios delas e comecei a espalhá-los. Todo mundo queria”, lembra Amanda.

Ela começou, então, a pensar em uma loja on-line para ajudar as indígenas a venderem seus produtos para um público maior. Em 2013, abriu o site da Tucum e logo depois um ponto físico em Santa Teresa. Atualmente, a loja funciona em Teresópolis, para onde se mudou na pandemia. São cestarias, cerâmicas, diversos acessórios, pinturas, itens de madeira e tantas outras artes. “Contamos a história de cada peça. Mais do que vender, queremos ensinar, manter aqueles conhecimentos vivos e pulsantes. Se saírem do site sabendo que não se fala tribo e sim aldeia ou povos já estou ganhando. Esse é o legado maior. Faz parte do devir dos povos indígenas esse olhar esteta, saber que muitas pessoas estão achando suas artes bonitas e dispostas a pagar o valor justo por elas. Isso mantém a floresta em pé”, explica.

O foco é dar autonomia, além de resgatar técnicas e informar. Hoje são mais de 90 povos que fazem parte da rede, representados por 40 iniciativas (como ONGs, cooperativas e empreendedores individuais), que estão em 39 territórios indígenas. Isso soma três milhões de hectares de floresta em pé, cuidada por povos que são mobilizados diretamente pelas ações da Tucum. “A Tucum faz um trabalho de fortalecimento da cultura indígena através das mulheres. Receber essa assessoria de gestão, loja on-line e marketing é muito importante para o nosso crescimento”, diz Leonice Tupari, coordenadora da Associação das Guerreiras Indígenas de Rondônia.

Em breve, ela vai abrir a Casa Tucum, onde, além de loja, haverá espaço para encontros. “Será um local voltado para o empreendedorismo indígena. Eles poderão lançar livros, filmes, fazer shows”, planeja Amanda.

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