Com queda de 4,1% do PIB, Brasil deixa grupo das dez maiores economias do mundo

João Sorima Neto
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SÃO PAULO —Depois de 14 anos, o Brasil deixou de figurar entre as dez maiores economias do mundo. Com a queda de 4,1% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2020, impacto pelos efeitos negativos da pandemia, o Brasil passou a ocupar a 12ª posição, entre as maiores economias do mundo. O ranking foi elaborado por Alex Agostini, economista-chefe da Austin Rating, agência de classificação.

— O Brasil entrou para o grupo das dez maiores economias mundiais em 20026, mas caiu para a 12ª posição em 2020, depois de 14 anos. Em 2019, o país ocupava o 9º lugar, mas no ano passado foi ultrapassado por Canadá, Coréia e Rússia, - disse Agostini.

No ranking, os Estados Unidos continuam sendo a maior economia mundial, com PIB de US$ 20,8 trilhões, que representa 23% da economia global. Em seguida, a parece a China com um PIB de US$ 14,8 trilhões, que equivale a 16,4% da economia mundial. No terceiro posto, aparece o Japão, com uma economia que produziu US$ 4,9 trilhões, o equivalente a 5,4% da participação mundial. Só na quarta colocação aparece um país europeu, a Alemanha, com PIB de US$ 3,7 trilhões.

Agostini observa que para este ano, sua estimativa é que o Brasil possa perder ainda mais duas posições e cair para a 14ª colocação, sendo ultrapassado pela Espanha e pela Itália.

Para elaborar o ranking, Agostini utilizou dados do Fundo Monetário Internacional (FMI). Ele observa que a desvalorização de 32,9% do real frente ao dólar ano passado também contribuiu para essa queda no ranking, já que para efeito de comparação os PIBs estão dolarizados.

— O encolhimento do PIB em relação a outros países mostra perda de eficiência e competitividade da economia. Além disso, a desvalorização cambial acentuada, na comparação com outros países, também mostra que algo está errado, com perda de confiança dos investidores e de produtividade. O ranking funciona como uma espécie de bússola para os investidores, porque revela a grandeza e o histórico que a economia deste país vem ocupando nos últimos anos. A pandemia afetou todo mundo, mas o Brasil acabou sendo mais impactado — diz Agostini.

Ele lembra que entre uma série de países emergentes, a moeda brasileira foi a que mais se desvalorizou ano passado (mais de 30% frete ao dólar) e este movimento continua em 2021. Além disso, por aqui, a vacinação caminha a passos lentos, o que tende a retardar a reduceração da atividade.

— Além disso, desde 2014, o Brasil vem piorando seu quadro fiscal. Deu um passo positivo nesse capítulo ao promover a reforma da Previdência, mas veio a pandemia e tudo piorou. O real continua se desvalorizando mais do que outras economias emergentes - diz Agsotini, que ainda mantem uma estimativa positiva para o PIB brasileiro em 2021, que deve crescer 3,3%.

No ranking do PIB de 2020, também elaborado pela Austin Rating, ao divulgar uma queda de 4,1% no PIB, o Brasil acabou na 21ª colocação, atrás de países como Letônia (que teve queda de 3,6% no PIB e ficou na 17ª colocação), Estônia, com a economia encolhendo 3% ano passado (13ª posição no ranking) e Nigéria, que apresentou recuo de 1,9% no PIB e ocupou a 7ª colocação no ranking.

Apenas três países apresentaram crescimento positivo, entre os 50 analisados pelo estudo: Taiwan (alta de 3,1%), China (2,0%) e Turquia (crescimento de 1,6%).