Com queda nas importações, balança comercial fecha ano com superávit de US$ 51 bi, alta de 7%

Gabriel Shinohara
·2 minuto de leitura
Pablo Jacob / Agência O Globo

BRASÍLIA — O impacto da pandemia no comércio global causou um superávit na balança comercial brasileira de US$ 51 bilhões em 2020, resultado 7% maior do que no ano anterior, quando o saldo positivo foi de US$ 48 bilhões. O cálculo de variação é sobre a média diária, resultado do total dividido pelo número de dias no período.

Os números divulgados nesta segunda-feira pelo Ministério da Economia mostram que as importações fecharam 2020 em US$ 158,9 bilhões, um valor 9,7% (média diária) menor do que 2019, quando foi de US$ 177,3 bilhões. Já as exportações tiveram uma queda menor, de 6,1%, e registraram saída de US$ 209,9 bilhões no ano contra US$ 225,4 bilhões em 2019.

A queda maior nas importações fez com que a redução das exportações não causasse um déficit na balança. Com isso, o saldo fechou em US$ 51 bilhões positivos.

Em outro ponto, a corrente de comércio, que é a soma de exportações e importações e mostra o nível de integração do país nas trocas globais, foi de US$ 368,9 bilhões. O resultado é 7,7% inferior aos US$ 402,7 bilhões registrados em 2019.

Desde o início da pandemia, as importações vêm registrando níveis historicamente baixos por conta da redução na atividade econômica global e nacional. Já as exportações se mantiveram em níveis parecidos com anos anteriores por conta, entre outros fatores, da valorização do dólar, que torna os produtos brasileiros mais baratos no exterior.

Agronegócio

Outra razão importante foi o resultado do agronegócio, o único setor a registrar crescimento nas exportações em 2020. No cálculo da média diária, a alta foi de 6% em relação a 2019. No total, a exportação foi de US$ 45,3 bilhões em 2020 contra US$ 43 bi no ano anterior.

Entre os produtos que mais destacaram nas vendas para o exterior, o Ministério da Economia ressaltou o café não torrado, que teve crescimento de 9,6%, a soja, com alta de 10,5% e o algodão bruto, cujo as vendas cresceram 23,1%.

Para o próximo ano, a expectativa no mercado é de recorde no setor. Como mostrou O GLOBO, as projeções levam em conta prognósticos positivos para a colheita, que deve ser recorde, e a elevação do preço de commodities no mercado global.