Com recorde em 4 estados, Brasil ultrapassa marca de 3 mil mortes por Covid-19 em 24h

Evelin Azevedo e Renato Grandelle
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O Brasil ultrapassou nesta terça-feira a marca de 3 mil mortes por Covid-19 em 24h, um novo recorde no país. Foram 3.158 óbitos, totalizando 298.843 vidas perdidas. A média móvel foi de 2.349 mortos. O índice chegou ao patamar mais alto pelo 25º dia consecutivo. O número é 43% maior do que registrado duas semanas atrás.

Quatro estados também tiveram seu dia mais letal desde o início da pandemia. São Paulo registrou 1.021 mortes nas últimas 24h, totalizando 68.623 óbitos desde a chegada do coronavírus.

No Paraná foram 311 mortes contabilizados desde 20h de segunda, elevando para 15.166 o total de vidas perdidas no estado. Em Santa Catarina, 182 óbitos foram registados nesta terça, totalizando 9.833 mortes. O Espírito Santo também bateu seu recorde de mortes: 72, somando 7.053 óbitos no total.

Nas últimas 24h foram 84.996 casos foram notificados, elevando para 12.136.615 o total de pessoas que se contaminaram com o coronavírus. A média móvel foi de 75.288 diagnósticos positivos, 9% maior do que o cálculo de 14 dias atrás. Um novo recorde.

Vinte e seis estados atualizaram seus dados sobre vacinação contra a Covid-19 nesta terça-feira. Em todo o país, 12.793.737 pessoas receberam a primeira dose de um imunizante, o equivalente a 6,04% da população brasileira. A segunda dose da vacina, por sua vez, foi aplicada em 4.334.905 pessoas, ou 2,05% da população nacional.

Os dados são do consórcio formado por O GLOBO, Extra, G1, Folha de S.Paulo, UOL e O Estado de S. Paulo e reúne informações das secretarias estaduais de Saúde divulgadas diariamente até as 20h. A iniciativa dos veículos da mídia foi criada a partir de inconsistências nos dados apresentados pelo Ministério da Saúde.

Coordenador da Força-Tarefa da Unicamp contra a Covid-19, Alessandro Farias admite que não vê “perspectiva de melhoria” na contenção da pandemia no país.

— Minha esperança é que, em meados do ano, a maioria dos países que se engajaram na produção de vacinas já tenham imunizado sua população, disponibilizando mais doses para o Brasil — avalia.

Farias destaca que o país é referência mundial em vacinação em massa. Poderia, portanto, ser um exemplo no combate à Covid-19.

— Agimos como um “país adolescente”: achávamos que seríamos imunes ao vírus, não tomamos medidas de prevenção, não pensamos em investimentos a longo prazo — condena. — Nunca chegamos perto de zerar as infecções, por isso acredito que o Brasil, desde o início, vive apenas uma onda da pandemia.

Segundo especialistas entrevistados pelo GLOBO, o calendário de imunização é vago para a maioria da população economicamente ativa. Devido à falta de definição sobre quando ocorrerá sua vacinação, assim como a necessidade de sustentar a família, muitas pessoas se expõem ao vírus e, assim, contribuem para o aumento da transmissão. Além disso, quanto maior é a duração de sua circulação, maior é a possibilidade de desenvolvimento de novas mutações.

Alberto Chebabo, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia, observa que o número de óbitos demorará a cair, já que as internações continuam subindo.

— É necessário adequar a estrutura de atendimento aos pacientes, ou então podemos chegar a 4 mil mortos por dia — alerta. — Ao contrário do que ocorreu no início da pandemia, onde o vírus foi introduzido no território nacional de forma escalonada, desta vez sua expansão é muito mais rápida e simultânea. Esta dinâmica é agravada devido à falta de barreiras sanitárias. O governo deveria impor uma restrição a deslocamentos.

A atuação do Executivo, porém, é oposta — a restrição à circulação de pessoas é condenada pelo presidente Jair Bolsonaro.

— O governo federal joga contra a maré, e trata o lockdown como uma punição imposta pelos estados. Em outros países esta medida foi possível porque houve uma contrapartida econômica aos empresários e à população. O auxílio emergencial no Brasil é irrisório.